14/06/2011 - 07:00 - Atualizado em: 14/06/2011 - 07:00

Documentarista usa experiência para desvendar mundo das modelos brasileiras em filme narrado por Alice Braga

ALYSSON OLIVEIRA
Do Cineweb
Diculgação News-image

A modelo Gisele Bündchen concede depoimento para o documentário "Top Models - Um Conto de Fadas Brasileiro"

Quando Richard Luiz começou a documentar desfiles de moda, há pouco mais de dez anos, e conviver com esse mundinho, ele nem desconfiava que estava diante de um fenômeno: a explosão das modelos brasileiras no mercado mundial.

“Meu olhar era mais em cima dos estilistas, de suas criações, de seus trabalhos. Eu convivi com todas as tops que hoje são famosas quando estavam começando. Só fui perceber a importância delas lá pelo ano 2001, quando aconteceu o boom”, explica o diretor em entrevista ao UOL Cinema, às vésperas de começar uma nova maratona da São Paulo Fashion Week.

Aquelas que hoje são famosas - Gisele Bündchen, Mariana Weickert, Caroline Ribeiro, entre outras - eram jovenzinhas em busca de um lugar ao sol das passarelas ou sessões de fotografia. “São histórias que chamam atenção, porque às vezes elas conseguem uma chance quase por acaso e se tornam um sucesso”, disse.

Para ilustrar, Luiz não podia ter melhor exemplo: Gisele. Ele conta, e isso está no seu documentário, “Top Models - Um Conto de Fadas Brasileiro”, que em um dia a modelo fez mais de 40 testes, conseguindo apenas um desfile. Nesse evento estava Anna Wintour, a poderosa editora da revista Vogue, que viu no brasileira a chance de atender um pedido de Bill Clinton, presidente dos EUA na época.

“Era o auge daquela imagem de modelo com cara de doente, pálida, com olheiras. E ele [Clinton] pediu que os editoriais de moda encontrassem moças com rostos mais saudáveis, expressões mais alegres”, relatou Luiz. O resultado está no filme, e no mundo, há dez anos: Gisele é a modelo de maior sucesso atualmente.

TRAILER DO FILME ''TOP MODELS - UM CONTO DE FADAS BRASILEIRO''

Para a estrutura do documentário, Luiz criou uma repórter de moda que funciona como narradora e sua alter ego. Ela comenta o mundo da moda, os bastidores e o trabalho das modelos, “carregando muito das minhas indagações, minhas dúvidas, e o que fui aprendendo com essas moças”, segundo o diretor. A narração é feita pela atriz Alice Braga.

A ideia do filme veio em 2006, quando o fotógrafo Bob Wolfenson fez um calendário com 25 modelos brasileiras que fizeram parte da história do São Paulo Fashion Week. “Foi aí que me dei conta: não é qualquer país que tem 25 tops na ativa e se destacando no cenário internacional ao mesmo tempo. Isso merecia ser documentado.”

O documentário fala não apenas das carreiras das modelos famosas, mas acompanha uma novata, Luana Dachery, que tenta uma carreira. “Ela está no mercado, mas ainda não estourou, não está fazendo carreira lá fora. Nós a escolhemos porque tem uma beleza exótica e muita chance de se tornar uma top de sucesso”.

Mas, como todo mundo sabe, vida de modelo não são apenas viagens, roupas, fotos e badalação. O documentário toca de maneira discreta em tópicos mais espinhosos desse mundo, como a anorexia.

“Eu tinha dúvidas sobre perguntar como foi largar a escola, mas percebi que não seria um assunto problemático. Muitas delas voltam a estudar quando ficam mais velhas. Nessa altura, elas tiveram uma carreira milionária e poderão fazer o que quiserem”, atesta o diretor.

Tendo mais de 400 horas gravadas de entrevistas e desfiles, sessões de fotos e gravações de comerciais, Luiz garante que, quando o longa for lançado em DVD, terá muito material extra. Antes disso, o documentário chega aos cinemas nacionais nesta sexta, e o lucro do filme será doado para unidade de Onco Hematologia Pediátrica Erik Loeff, em Salvador (BA). “Desde o princípio, pensamos no filme com esse intuito.”