15/08/2011 - 07h00

O homem macaco retorna: Andy Serkis fica peludo novamente para 'Planeta dos Macacos: A Origem'

IAN SPELLING
Hollywood Watch

Em "Planeta dos Macacos: A Origem", Andy Serkis está novamente "interpretando" um personagem criado digitalmente, para a alegria dos cinéfilos que já viram o ator britânico como Gollum em "O Senhor dos Anéis" (2001-2003) e em "King Kong" (2005). Sem causar surpresa, Serkis pensou muito antes de aceitar o papel no mais recente reinício de "O Planeta dos Macacos".

"Minha reação imediata foi: 'Por quê? É realmente uma série que precisa ser ressuscitada?'", lembra Serkis, falando por telefone de sua casa em Londres. "Tim Burton fez sua versão há 10 anos e eu não sabia ao certo como seria esta nova versão. Então Joe Letteri, que é um dos chefes da WETA (a produtora de efeitos especiais da Nova Zelândia que trabalhou em "O Senhor dos Anéis" e "King Kong"), me falou sobre 'Macacos'. Ele disse que estavam pensando em participar e me disse que César seria um papel incrível; então li o roteiro. E preciso dizer, o roteiro foi o motivo para tê-lo feito."

"Era um roteiro fantástico, uma história poderosa, realmente tocante, bastante humana, sobre relacionamentos e temas muito fortes. A grande diferença entre antes e agora é que a tecnologia da WETA chegou tão longe que eu podia filmar a 'motion capture' (captura de movimento) em cenários reais."

César

Situado no presente, "Planeta dos Macacos: A Origem" começa com Will Rodman (James Franco), um cientista trabalhando para curar o mal de Alzheimer com o desenvolvimento de um vírus benigno, capaz de restaurar tecido cerebral humano danificado. O prazo está acabando para Rodman, porque seu próprio pai, Charles (John Lithgow), está sofrendo da doença. Mas quando a nova droga de Rodman, ALZ-112, está prestes a chegar ao estágio de teste em seres humanos, um teste em um macaco sai do controle, provocando o fechamento de todo o programa.

É claro que a história não termina aí. Will acaba criando César, o filho agora órfão do macaco usado como cobaia e os dois acabam criando um laço de pai e filho. César cresce forte e hiperinteligente, mas quando Will deixa César aos cuidados do Refúgio San Bruno para Primatas, dirigido pela cruel dupla de pai e filho de Landon (Brian Cox) e Dodge (Tom Felton), César é levado além do seu limite. No final ele usa sua inteligência para liderar os macacos em uma revolta contra seus opressores humanos.

"César foi criado em um ambiente em que era amado e tratado com respeito", diz Serkis, "e ele realmente não entende que ele é diferente dos seres humanos. Ele quase faz parte da família de Will e Charles. De modo que há um relacionamento terno e sofisticado entre os três. Então, após certos eventos, em um momento de defesa de Charles, ele se enfurece e experimenta uma autoconscientização, um momento em que percebe que não é como essas pessoas que o criaram".


"Então tudo muda de novo quando ele se vê diante de sua própria espécie naquela que é, na prática, uma prisão brutal. É basicamente 'Um Estranho no Ninho' (1975). Ele fica totalmente mal-humorado, não se relaciona com os macacos de forma nenhuma. Ele se comunica de um modo que é muito mais humano. É quando ele passa a negociar tudo isso, descartando e rejeitando elementos de sua humanidade e parte de seu lado primata."

"Esses são o primeiro e o segundo ato. O terceiro ato envolve sua liderança dos macacos para uma espécie de refúgio, sua liderança de uma revolução contra este sistema que é brutal contra eles. César percebe o que está acontecendo e os lidera para a liberdade. Assim, eu interpreto todo esse arco, este inocente monstro de Frankenstein que não tem consciência do que é, além de um ser que é amado, e então precisa fazer todas essas escolhas sobre o que fazer, como fazer e que partes de si mesmo manter e descartar."

 

1968 X 2011

"O Planeta dos Macacos" (1968) original deixou uma forte impressão em Serkis. "Planeta dos Macacos: A Origem" é um filme muito diferente, mas também familiar, já que é uma história de origem que faz a pergunta sobre o que acontece quando a humanidade vai longe demais e inadvertidamente provoca sua própria queda.

O filme original deu origem a várias sequências e uma série de televisão. É claro que "Planeta dos Macacos: A Origem" poderia fazer o mesmo. "Eu acho que sim", diz Serkis, cujos próximos filmes serão "Wild Bill", "As Aventuras de Tintim - O Segredo do Licorne" e, é claro, "The Hobbit" de Peter Jackson, no qual ele reprisará o papel de Gollum e trabalhará como diretor de segunda unidade. "Esta história de 'Macacos' poderia facilmente prosseguir. No filme original, é uma sociedade muito bem organizada, com hierarquias, estrutura e opressão, e todas as coisas boas e ruins de qualquer sociedade."

"O que seria muito interessante agora seria ver como a sociedade dos macacos se organiza, as decisões que ela toma e seus sucessos e fracassos", prossegue Serkis. "E o que seria interessante para César, se ele fizer parte disso, seria como ele escolheria, ou não, manter as coisas positivas que aprendeu com a humanidade."

"Ele toma algumas dessas decisões em 'Planeta dos Macacos: A Origem', mas há mais decisões a tomar no futuro."

Assista ao trailer de "Planeta dos Macacos: A Origem"

Tradução: George El Khouri Andolfato