22/08/2011 - 07h00

"Eu e os primatas nos conhecemos bem", diz ator de "Planeta dos Macacos"

ANA MARIA BAHIANA
Especial para o UOL, de Los Angeles

Um homem, uma mulher, um chimpanzé. Esta família fora do comum está no coração de "Planeta dos Macacos: A Origem", o inteligente filme de Rupert Wyatt inspirado pelo livro de Pierre Boulle que, em 1963, causou comoção em todo o mundo e deslanchou a franquia cinematográfica em 1968. O novo filme estreia no Brasil no dia 26 de agosto.

O homem, vivido por James Franco ("127 Horas"), é um biólogo especializado em engenharia genética, determinado a descobrir a cura para o mal de Alzheimer’s que aflige seu pai (John Lithgow, "Os Delírios de Consumo de Becky Bloom"). A mulher – Freida Pinto ("Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos") – é uma veterinária que trabalha no jardim zoológico de San Francisco, e que conhece o biólogo através do chimpanzé, Caesar, criado a partir do extraordinário talento de Andy Serkis ("Coração de Tinta") combinado com a tecnologia de ponta da neozelandesa Weta Digital.

“Posso dizer que eu e os primatas nos conhecemos bem, a esta altura”, diz Serkis, que começou a estudar o movimento dos animais para interpretar Kong no "King Kong" de Peter Jackson. “Com a pesquisa que fiz para King Kong eu passei um bom tempo num parque de primatas em Ruanda, e me liguei muito num filhote de chimpanzé, órfão. E uma coisa que os cientistas me disseram e eu pude observar de perto é que os primatas ecoam o comportamento humano. Os chimpanzés são muito mais agressivos em áreas onde há conflito militar, por exemplo. Para mim a jornada de Caesar ecoa o comportamento dos humanos para com ele”.

O principal humano de Caesar – que, como os fãs sabem, será o líder do Planeta dos Macacos nos demais filmes da série – é o biólogo de James Franco, com quem Serkis, num aparato completo de captura de movimento, contracena em grande parte do filme.

“Serkis deveria ser o primeiro nome nos cartazes”, diz Franco. “Sem ele, sem a verdade que ele traz para o personagem, o filme não seria o que é. Muita gente ainda não compreende o que é, mas o Caesar de Andy não é absolutamente um efeito especial. Eu realmente contracenava com ele de ator para ator, e por isso o relacionamento é tão verdadeiro – desde o início do filme Caesar tem humanidade dentro de si, e Andy passou esse elemento sempre, completamente”.

A veterinária interpretada por Freida Pinto é apresentada ao personagem de James Franco por Caesar. Embora seu tempo de tela seja menor que a de seus colegas de elenco, Freida dedicou-se ao mesmo volume de pesquisa sobre primatas, seu comportamento e seu relacionamento com humanos. E descobrir que eles ainda são usados para pesquisas médicas e cosméticas deixou-a “triste e indiganada”.

“Somos todos responsáveis”, ela diz. “Porque muitos produtos que usamos hoje sem pensar duas vezes foram desenvplvidos dessa forma. E é óbvio, quando você começa a passar algum tempo com primatas, que trata-se de seres que sentem, que tem emoções”.

Franco e Pinto acabaram se tornando envolvidos, nas palavras de Freida, “numa discussão muito interessante sobre o quanto é moral ou imoral fazer testes em animais como parte da pesquisa científica. Tínhamos um consultor de biologia no set, e através dele soubemos que  hoje pode-se testar diretamente em tecidos humanos, através da engenharia genética e do que pode ser reproduzido no laboratório”.

Franco admite que não conhecia muito sobre o assunto, mas o trabalho em "Planeta dos Macacos: A Origem" atraiu militantes dos direitos animais. Hoje ele se considera “muito interessado” no assunto, “até porque, como se vê no filme de um modo fictício, não é nem muito produtivo testar em primatas: as reações são completamente diferentes entre primatas e humanos. Diferentes e imprevisíveis”.