08/09/2011 - 19h38

"As chances de sair uma grande bobagem eram enormes", diz Harrison Ford sobre o filme "Cowboys & Aliens"

ANA MARIA BAHIANA
Especial para o UOL, de Los Angeles

A trajetória do projeto "Cowboys & Aliens" é complicadíssima (entenda aqui) mas, quando chegou ao diretor Jon Favreau, ele tinha uma ideia bem clara do que fazer: “Eu entendi a piada, o absurdo do conceito”, ele diz. “ E vi que, para que ele se tornasse um bom filme, era preciso ser levado a sério.A saída mais óbvia era cair num clima de gozação - mas acho que aí estaríamos desperdiçando uma boa ideia”.

A postura de Favreau estava totalmente de acordo com a do produtor Ron Howard, que o escolhera para dirigir o projeto depois do sucesso dos dois "Homem de Ferro": de que o filme não era uma comédia na linha "MIB - Homens de Preto" (outro produto da editora de quadrinhos Platinum, criadora de "Cowboys & Aliens"), mas um novo olhar sobre um gênero clássico do cinema, o faroeste.

  • Getty Images

    O diretor e produtor Jon Favreau, a atriz Olivia Wilde e o ator Harrison Ford posam para foto na pré-estreia do filme "Cowboys & Aliens", durante o Comic-Con 2011, em San Diego (23/07/2011)

Favreau cercou-se de uma trinca de experientes roteiristas que, em várias permutações, na TV ("Alias", "Fringe", "Lost") e e no cinema ("Star Trek", "Missão Impossível") já haviam trabalhado juntos: Damon Lindelof, Roberto Orci e Alex Kurtzman.

“Foi um trabalho intensamente criativo entre nós”, Favreau conta. "E Steven Spielberg foi nosso guia no processo - ele me disse que tinha uma cópia recém restaurada de 'Rastros de Ódio', de John Ford, e organizou uma exibição para mim e os três roteiristas, fazendo comentários durante cenas importantes. Aquilo abriu nossa visão. Depois, várias outras vezes - queríamos expandir o conceito, mas sendo fiel às regras e tradições do western".

Parte importante da proposta era escolher, para encabeçar o elenco, “dois atores icônicos, que trouxessem toda uma carga de reconhecimento com suas presenças”, Favreau conta. Harrison Ford, primeira escolha para viver o quase-vilão Dolarhyde, o barão do gado que domina a cidadezinha de Absolution, nos cafundós do deserto do Novo México/Arizona, em meados do século 19, foi, a princípio, um problema.

"Eu não queria fazer, é verdade", Ford admite. "Não era nem o roteiro, era o próprio conceito. As chances de sair uma grande bobagem eram enormes. Coisas assim podem descambar para a idiotice muito rapidamente. Foi quando eu vi a qualidade as pessoas envolvidas e pude conversar com elas que me senti mais tranquilo.  Afinal, esse é o tipo de filme que as plateias querem ver hoje. Eu cresci vendo Roy Rogers, Hopalong Cassidy, matinês com Gene Autry. Mas este filme é uma outra proposta".

Um ponto importante para Ford foi conversar longamente com Favreau sobre o roteiro e como os efeitos se integrariam à  narrativa.

"De novo, podia ficar uma besteira. Mas gostei muito de como os aliens se integravam à história, como os outros personagens achavam que eles eram 'demônios', como ficava claro que as pessoas da época não tinham a menor noção do espaço, da possibilidade de outros mundos. Esses detalhes me fizeram mudar de ideia e aceitar o papel".

TRAILER DO FILME ''COWBOYS & ALIENS''

Daniel Craig, selecionado unanimente por Favreau e Howard para o papel do misterioso herói  Jake Lonergan “porque tem a mesma presença de Yul Brynner, calma, controlada e poderosa”, entendeu imediatamente o conceito do filme. “Está tudo no título, não é mesmo? Mas eu vi de cara que íamos levar a sério a ideia, por mais maluca que ela possa ser”.

Eu sempre quis ser um cowboy. (...) Para mim foi a realização de um sonho

Daniel Craig, ator

Para Craig, "Cowboys & Aliens" teve um atrativo a mais: "Eu sempre quis ser um cowboy. É engraçado porque as pessoas vivem me perguntando se eu sonhava em ser James Bond, mas na verdade eu nunca pensei nisso. Um cowboy, sim, eu sempre quis ser desde garoto. Para mim foi a realização de um sonho".

Craig diz que se identifica mais com os westerns de Sergio Leone mas que, apesar de todo o seu amor pela mitologia do oeste, não sabia andar bem a cavalo ou usar um laço. “Não ia incomodar Harrison para isso…” ele brinca.”Felizmente tínhamos uma equipe maravilhosa de verdadeiros rancheiros e cowboys que nos treinaram e estavam sempre por perto para nos aconselhar…”