10/10/2011 - 07h25

Curta-metragem com Deborah Secco desbanca longa premiado da Première Brasil

MICHELE GOMES
Colaboração para o UOL, do Rio
  • Deborah Secco dá uma surra em "paparazzo" em gravação do curta "Assim como Ela", de Flora Diegues

    Deborah Secco dá uma surra em "paparazzo" em gravação do curta "Assim como Ela", de Flora Diegues

Talvez tenha sido o Fla x Flu, a preguiça de domingo (9) à noite ou o fato de o diretor não ser carioca e ter poucos conhecidos na cidade. Mas a sessão de “Mãe e filha”, de Petrus Cariry, levou poucos espectadores à Première Brasil, no Odeon, nesta noite. Nem os cinco prêmios obtidos no Cine Ceará – o festival mais importante do nordeste - despertaram a curiosidade dos ávidos pelo Festival do Rio. O longa também concorre ao troféu Redentor.


“As pessoas estão começando a prestar atenção a esta nova geração de diretores brasileiros. Mas ainda existe a dificuldade de distribuição no país. Mas concorrer a um prêmio deste valor é muito bom para divulgar o trabalho e gerar novos frutos. Mas acho que o júri, às vezes, tende a votar em filmes mais comerciais”, disse Cariry.

O escasso público, que não chegou a lotar nem o primeiro andar do cinema, compareceu para assistir ao curta de Flora Diegues, “Assim Como Ela”, que tem Deborah Secco como protagonista. Ela vive uma atriz viciada em remédios e álcool e é atormentada pela perseguição dos paparazzi. Ao término da – aplaudidíssima - exibição, a maioria debandou para comemorar no bar ao lado com a diretora e filha do consagrado cineasta Cacá Diegues.

“Mãe e Filha”, que também concorre ao troféu Redentor, conta a história de Maria de Fátima, que volta à cidade de origem com o filho recém-nascido nos braços. O detalhe é que o bebê está morto e ela precisa da bênção da mãe para enterrá-lo. Com um orçamento de R$ 170 mil, considerado baixo para um longa-metragem, as filmagens tiveram como cenário o norte do Ceará e como locação as próprias ruínas da cidade-fantasma.
 

“Trata-se de um filme autoral, feito com poucos recursos, mas muita dedicação. O orçamento para esse trabalho veio de verbas que ganhei através de prêmios com outros projetos. Não tenho interesse em fazer filmes comerciais. Fico satisfeito enquanto eu puder fazer trabalhos autorais. Não pretendo abrir mão das minhas ideias e da visão artística; é isso que importa para mim”, contou o diretor, que aproveitou para explicar por que nunca comparece a festivais: “Morro de medo de avião”.

Durante o filme, a presença marcante de quatro homens vestidos com uma roupa semelhante a de cangaceiros intrigou o público. Ao término da sessão, os espectadores rodearam o diretor com perguntas e teorias sobre os tais personagens, que não chegam a ser essenciais na trama, mas marcam passagens importantes.

“A interpretação é livre. Eu não gosto de produzir filmes que tenham uma mensagem simples e gratuita. Sou fã de filosofia e de diretores como Béla Tarr. Esses quatro homens são vaqueiros, que é uma coisa típica da região. Na minha concepção, eles representam os cavaleiros do apocalipse, uma citação bíblica. Mas o espectador pode interpretar de acordo com a referência que tiver”.