João Paulo (Mateus Solano) e Caio (Paulo Lontra) em cena de "A Novela das 8" (2011)

João Paulo (Mateus Solano) e Caio (Paulo Lontra) em cena de "A Novela das 8" (2011)

11/10/2011 - 08h30

Beijo gay com Mateus Solano anima sessão de "A Novela das 8", um tributo a "Dancin' Days"

MICHELE GOMES
Colaboração para o UOL, do Rio

A estreia de “A Novela das 8”, no cinema Odeon na noite desta segunda-feira (10), foi comparável a um evento hollywoodiano: celebridades, fotógrafos, jornalistas, tietes, vestidos glamourosos e penteados impecáveis. E o filme tinha tudo para ser a grande sensação da Première Brasil, já que conta com um time de estrelas, um roteiro pop, que homenageia uma das novelas mais bem-sucedidas, “Dancin’ Days”, e relata o assunto mais polêmico da história nacional: a ditadura militar do final dos anos 70.

“Esse filme foi um presente, porque pude reviver minha adolescência nos âmbitos cultural e profissional. ‘Dancin’ Days’ foi a primeira novela em que eu fiz figuração. Foi quando eu descobri que queria ser atriz. As roupas eram muito cafonas; é um horror olhar para o passado e rever as ombreiras. Mas foi uma fase maravilhosa”, contou Claudia Ohana, que vive Dora Dias, personagem principal da trama. “Ela é uma presa política, que foi torturada e passou muitos anos se escondendo em São Paulo, mas decide voltar ao Rio para reaver o que deixou para trás”.

O problema é que a empolgação do público no tapete vermelho se resumiu a apenas um tema do filme: a descoberta da sexualidade de Caio (Paulo Londra), que tem o ápice durante um beijo - literalmente - cinematográfico entre seu personagem e o ator Mateus Solano. Neste momento, os gritinhos e aplausos deram o ar da graça pela primeira vez. O outro único momento de euforia também se deu com Caio, quando o adolescente conta para o avô homofóbico que é gay.
 

“Há seis anos, comecei minha aventura no cinema apresentando um filme aqui no Festival do Rio. É um prazer voltar com um filme tão importante para a minha carreira. O mais divertido ao fazer a pesquisa foi relembrar a trilha sonora, que é maravilhosa, com direito a Frenéticas”, disse o diretor, roteirista e produtor da obra, Odilon Rocha.

Mateus Solano conseguiu dar uma fugidinha das gravações da reta final de “Morde e Assopra”, novela das sete da TV Globo, para prestigiar a estreia. No filme, ele vive o personagem João Paulo, mas faz mistério na hora de falar sobre a trama e pede sigilo aos jornalistas que assistiram à estreia.

“O filme fala sobre vários tipos de liberdade. Foi uma época difícil para o Brasil. Para mim, foi uma honra participar, porque eu adoro tudo o que se relaciona aos anos 70: música, arte, literatura. Eu adoraria ter nascido uns 20 anos antes para aproveitar essa década. E, para mim, carioca de corpo e alma é um prazer estrear no Festival do Rio”.

Personagem essencial na história, Vanessa Giácomo vive Amanda, uma garota de programa obcecada por novelas. Tanto é que ela sonha ser uma das personagens de “Dancin’ Days” e carrega uma mala cheia de adereços para fingir que vive em uma realidade paralela.

“Sou muito diferente da Amanda. Nunca fui fanática por novelas, séries ou atores. E eu sempre quis viver a minha vida, que já  é difícil de ser vivida. Confesso que eu nunca quis ser nenhum personagem da ficção”, disse.