25/12/2011 - 07h03

Cinéfilos indicam 10 comédias "muito loucas" para você curtir neste verão

DOLORES OROSCO
Colaboração para o UOL

Você já deve ter ouvido algo na linha “uma família muito atrapalhada se envolve em altas confusões” ou “uma turminha do barulho aprontando todas em uma viagem muito louca”.

Definições genéricas como essas são usadas à exaustão pelas emissoras ao apresentar o cardápio de filmes na temporada de verão. Se você ainda torce o nariz para esse tipo de comédia e fica irritado quando a programação vespertina fica loteada por elas nas férias, saiba que há especialistas que defendem que essas produções têm lá seu valor.

“Este é um gênero como o policial, o terror, a comédia romântica. Tem sua fórmula e seu mercado. É produto catalogado, testado e replicado anualmente”, diz o cineasta Fernando Meirelles.

“Tem uma turma que sabe fazer esses filmes com mais inventividade. É a turma do Seth Rogen, do Michael Cera, do Jonah Hill...”, completa Meirelles, citando o roteirista e os protagonistas da comédia “Superbad – É Hoje!” (2007). “Eles são atores, mas também autores e diretores. Trabalham juntos às vezes e deram uma renovada no gênero.”

Já o crítico de cinema Inácio Araújo diz ter “boas lembranças” das comédias estreladas pelo ator americano Chevy Chase nos anos 80. Caso de “Férias Frustradas” (1983), da sequência “Férias Frustradas 2” (1985), de “Uma Alucinante Viagem” (1988) e de “Uma Fazenda do Barulho” (1988), entre outros.

“As férias são um momento em que as pessoas estão livres para cair no desconhecido: uma estrada, um lugar, uma casa... E o que se espera? Diversão, tempo leve, despreocupação", analisa Inácio. "Então me parece natural que o oposto chame a atenção: as férias desastradas. Será que o carro vai quebrar? Será que a comida do hotel é decente? E se eu quebrar a perna na Europa?”, completa.

Versão brasileira

Paulo Halm, roteirista de comédias como “Não se Preocupe, Nada Vai Dar Certo”  (2011) e “Casa da Mãe Joana” (2008), diz que o cinema brasileiro ainda não tem a tradição das “férias do barulho” em seus temas por questões culturais.

“A coisa de viajar de trailer com a família, como aparece nesses filmes, tem muito a ver com o comodismo do americano”, pondera. “É aquela coisa: se o Grand Canyon não vem até minha casa, eu levo minha casa até o Grand Canyon”.

No entanto, Halm está envolvido em um projeto que vai mostrar, à brasileira, “uma turminha do barulho metida em altas confusões”. Ao lado da diretora Rosane Svartman, prepara o roteiro de “Desenrola 2 – Pé na Estrada”. A sequência da comédia adolescente, que começará a ser filmada no próximo ano, trará os atores Olívia Torres, Lucas Salles e Vitor Thiré em uma viagem rumo a Machu Picchu.

“Não teremos o trailer dos filmes americanos. A turma vai viajar em uma Kombi e se meter em várias presepadas”, diz o roteirista, em definição pronta para as chamadas da televisão.