20/01/2012 - 07h00

Ingresso de cinema em São Paulo é mais caro que o de Nova York

Ana Okada
Do UOL, em São Paulo
  • Sala Imax do Espaço Unibanco Pompeia, em São Paulo, que tem um dos ingressos mais caros da cidade

    Sala Imax do Espaço Unibanco Pompeia, em São Paulo, que tem um dos ingressos mais caros da cidade

O preço médio do ingresso de cinemas de São Paulo é mais caro do que o de Nova York: enquanto aqui paga-se R$ 20, lá, o preço é de R$ 16,28. Pesquisa do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) feita recentemente mostra que se compararmos o valor da entrada em relação ao salário mínimo, o ingresso paulistano é mais caro do que o de cidades como Paris, Tóquio e Londres, e só perde para o valor praticado em Joanesburgo, na África do Sul.

Enquanto em Paris o ingresso corresponde a 1,43% do salário mínimo local, em São Paulo, ele equivale a 3,28% do mínimo do Estado (considerando o valor vigente antes do dia 19/1), segundo o estudo.

Apesar do preço salgado, a qualidade das salas avaliadas pelo Idec mostrou-se satisfatória. Segundo o coordenador da pesquisa, Guilherme Varella, no geral, os cinemas cumprem com o que prometem em relação aos serviços oferecidos, segurança e higiene, mas o alto custo afasta um grande público em potencial. "Se considerarmos que 40% da população brasileira recebe o salário mínimo, vamos ver que o acesso a esse bem cultural é dificultado. O consumo está crescendo entre as classes C e D, mas seria interessante que pudesse aumentar também o consumo à cultura", diz. Foram avaliadas dez salas do centro expandido, das 260 concentradas na capital.

Dentre as causas do alto valor da entrada de cinema, Varella lista o fato de os estabelecimentos estarem mais concentrados nas regiões nobres das cidades, mais caras, e o fato de poucas empresas concentrarem a exibição dos filmes, o que faz com que o preço aumente.

COMPARE PREÇOS DE INGRESSOS DE CINEMA EM DIVERSAS CIDADES

  • Idec/Divulgação


Meia-entrada encarece ingresso
Já para Paulo Sérgio Almeida, diretor do site especializado em mercado cinematográfico "Filme B", o preço do cinema está caro porque os serviços no país estão caros. Ele contesta a comparação do preço de São Paulo com o salário mínimo, pois diz que na capital quase ninguém ganha essa quantia, mas concorda que, de fato, para quem recebe o mínimo esse tipo de diversão é impossível: "Quem ganha salário mínimo está excluído de ir ao cinema. Por mais que as classes C e D estejam ascendendo, quem ganha salário mínimo é a classe E. É por isso que temos 190 milhões de habitantes mas só 20 milhões vão ao cinema".

Ele explica que fatores como a valorização da moeda, o preço alto dos serviços, a localização do cinema e a meia-entrada influenciam no valor do ingresso, e aponta a última como um "problema". Para ele, o benefício, concedido a estudantes e idosos e, em São Paulo, a professores da rede estadual, trata-se de uma medida eleitoreira que encarece o ingresso.

Além disso, há muitas pessoas que fraudam documentos estudantis e acabam se beneficiando injustamente. "Como não existe comprovação e uma grande quantidade de pessoas usa carteiras falsas, o cinema é obrigado a aumentar o preço. Esse tipo de coisa obriga aquele que paga o ingresso cheio a completar o ingresso daquele que paga meia", diz. Dos ingressos vendidos, 70% são meias-entradas.

Varella defende o benefício da meia-entrada, e diz que, caso haja falsificações, elas deveriam ser levadas para a esfera penal: "Isso é um problema de polícia. Se tem isso, tem que ser investigado". Ele não concorda, porém, que o benefício seja apenas eleitoreiro: "Se existe esse benefício, é porque tem uma parcela da população que não pode arcar com o preço total. Culpar idosos e estudantes é uma irresponsabilidade. Poderia haver mais políticas para baratear os ingressos, mas não vai ser tirando a meia-entrada desses segmentos sociais que vão acabar com o prejuízo das salas", opina.