Jean Dujardin e Bérénice Bejo em cena de "O Artista", de Michel Hazanavicius

Jean Dujardin e Bérénice Bejo em cena de "O Artista", de Michel Hazanavicius

07/02/2012 - 07h00

"Nunca sonhei com o Oscar", diz diretor de "O Artista", um dos favoritos à estatueta

Thiago Stivaletti
Do UOL, em São Paulo

O filme mais premiado do ano não é um épico de Hollywood ou um drama com grandes atores americanos. É um filme mudo e preto-e-branco como aqueles dos anos 1920 do século passado, dirigido por um francês desconhecido, com atores franceses. “O Artista”, mistura de drama, comédia e romance sobre um astro do cinema mudo de Hollywood que não se adapta ao novo cinema falado, começou sua trajetória de sucesso em maio de 2011, no Festival de Cannes, e culminou com dez indicações ao Oscar e 12 ao Bafta, o Oscar do cinema britânico. O filme estreia no dia 10 de fevereiro no Brasil.

Michel Hazanavicius, o tal francês desconhecido que dirigiu “O Artista”, acaba de ganhar o prêmio de melhor diretor do Director’s Guild, o sindicato da categoria em Los Angeles, batendo pesos-pesados como Martin Scorsese e Woody Allen – o que o credencia como favorito ao Oscar.

Filme do mundo
Em entrevista ao UOL por telefone de Los Angeles, com a voz blasé típica dos franceses, Michel não parece deslumbrado com a chance de ganhar a estatueta. “Sim, isso tudo é inacreditável, mas nunca sonhei com o Oscar. Mais incrível é lembrar que, quando o filme foi rodado em Los Angeles, ainda não tinha distribuidor nos EUA. Depois de lançado aqui, o amor pelo filme foi gerando uma acolhida cada vez maior”. Nas últimas semanas, ele recebeu os parabéns de gente como Meryl Streep, Lauren Bacall, Clint Eastwood, o inglês Stephen Frears e três dos seus concorrentes ao Oscar de melhor filme – Martin Scorsese (“A Invenção de Hugo Cabret”), Alexander Payne (“Os Descendentes”) e Steven Spielberg (“Cavalo de Guerra”).


Para Michel, “O Artista” é um filme americano, francês ou internacional? “Prefiro dizer que ele é internacional, sem pátria. A nacionalidade das pessoas não é uma coisa que me apaixona. Mas claro que o filme é impregnado da mitologia americana, mais do que de qualquer elemento francês”.

Filme de ator
Como todo diretor estrangeiro que faz sucesso nos EUA, Michel tem recebido muitos novos roteiros para filmar. Hollywood não arrisca: se um diretor fez muito sucesso com uma ficção científica, por exemplo, vai receber muitas propostas do mesmo gênero. Mas, no caso de “O Artista”, que tipo de história chega a ele – outros filmes mudos em preto-e-branco? “É uma boa pergunta. Recebo roteiros de todos os tipos, mas nada de filmes de gênero ou de grande orçamento. Alguns são comédias, outros são filmes de época, quase todos filmes com grandes papéis para os atores”.

Com a agenda maciça de divulgação em torno de “O Artista”, Michel ainda não bateu o martelo sobre o próximo projeto. “Descobri que a parte mais importante de um filme não é a preparação, a escolha dos atores, a filmagem ou a montagem – é a decisão sobre qual filme dirigir. É aí que não dá para se enganar”. A única coisa certa é que o novo longa será falado em inglês. Se “O Artista” sair coroado do Oscar no próximo dia 26, ele terá mais uma boa pilha de roteiros em cima da mesa para aumentar sua dúvida.