Cena de "In the Land of Blood and Honey", dirigido por Angelina Jolie

Cena de "In the Land of Blood and Honey", dirigido por Angelina Jolie

09/02/2012 - 18h47

Estreia de Angelina Jolie na direção, filme sobre Guerra da Bósnia movimenta e divide Berlim

Alessandro Giannini
Do UOL, em Berlim

Muito disputada pelos jornalistas que cobrem o Festival de Berlim 2012, a sessão para a imprensa de "In The Land of Blood and Honey", na tarde desta quinta (9), ganhou uma sala extra para acomodar o excedente de pessoas que ficaram de fora da projeção original. O filme de estreia na direção de Angelina Jolie faz parte da mostra Berlinale Special e não concorre aos Ursos de Prata e Ouro. Mas está entre os eventos mais populares desta Berlinale, embora tenha dividido opiniões ao final das projeções.

Em várias ocasiões, Jolie disse que escolheu a Guerra na Bósnia como tema de seu primeiro filme porque foi a guerra de sua geração. Ela tinha 17 anos quando o conflito começou, nos anos 1990, e se envolveu com as Nações Unidas. Outra justificativa foi a de que a atriz convertida agora em diretora queria entender a guerra por todos os lados.

O filme, cujo roteiro também é assinado por Jolie, mostra como um inocente encontro às cegas entre a muçulmana Ajla (Zana Marjanovic) e o sérvio Danjel (Goran Kostic) evolui depois que o conflito étnico ganha volume. Aprisionada pelo batalhão comandado por Danjel, Ajla torna-se refém do homem por quem havia se apaixonado. A partir daí, a trama evolui como conflitos dessa natureza evoluem: de forma caótica, em geral violenta e sem muita lógica.


Com Rade Serbedjiba completando o elenco no papel de um general sérvio linha-dura, "In The Land of Blood and Honey" se fortalece da boa química entre o trio de atores que forma o núcleo central de protagonistas. Mas é o máximo de contribuição que Jolie poderia dar nesse sentido, já que sua direção parece tão caótica e contraditória como a relação entre o casal de personagens principais.

"In The Land of Blood and Honey" foi quase todo rodado na Hungria por causa dos opositores do longa na Bósnia. Em outubro de 2010, um ministro bósnio cancelou as licenças para filmagem concedidas ao filme alegando falta de documentação. Isso aconteceu logo depois que vítimas da guerra - em sua maioria mulheres - ficaram contrariadas com detalhes do roteiro, que disseram tratar do amor entre um estuprador e sua vítima.

Vítimas da violência sexual na Bósnia chegaram a escrever à agência de refugiados da ONU, dizendo que Jolie não merecia seu papel como embaixatriz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), e que não conhecia o suficiente sobre o conflito.

TRAILER DE "IN THE LAND OF BLOOD AND HONEY"