09/02/2012 - 19h09

"Hollywood não compra mais sua participação nos festivais", diz o britânico Mike Leigh em Berlim

Alessandro Giannini
Do UOL, em Berlim
  • O presidente do júri do Festival de Berlim 2012, Mike Leigh, durante coletiva de imprensa do evento (9/2/12)

    O presidente do júri do Festival de Berlim 2012, Mike Leigh, durante coletiva de imprensa do evento (9/2/12)

Presidente do júri do Festival de Berlim 2012, o cineasta britânico Mike Leigh foi prolífico, criativo e bem humorado nesta quinta (9) durante a apresentação do corpo de jurados. Sentado entre as atrizes Barbara Sukowa e Charlotte Gainsbourg, ele disse que Hollywood está em crise e a influência do cinema industrial americano está cada vez menor tanto em Berlim quanto em Cannes ou Veneza. "E isso é uma boa notícia", disse ele. "Ao mesmo tempo é bom ver que o cinema independente americano também está em crescimento."

Várias vezes, Leigh falou pelo grupo ou individualmente pelos colegas e sempre recebeu a aprovação de todos. Especialmente de Jake Gyllenhall, quando questionado por um jornalista americano se ele não se sentia um "peixe fora d'água" no grupo. "Se ele está se sentindo um peixe fora d'água não vejo porque deveria", afirmou Leigh, antes de passar a palavra ao ator. "E acho que falo por ele." Ao responder a pergunta, Gyllenhall apenas sorriu e disse: "Acho que o presidente do júri falou por mim".

A alemã Barbara Sukowa, atriz dos filmes de Fassbinder, brincou com o fato de ser membro do júri. "Quando você é uma atriz, vai envelhecendo e não consegue mais trabalho, recebe muitos convites para ser jurada", disse ela. "Se fosse um trabalho pago, eu bem que poderia viver disso."

O iraniano Ashgar Farhadi, diretor de "Procurando Elly" e "A Separação", respectivamente Urso de Prata e de Ouro nos dois últimos festivais, falou sobre o que mudou em sua carreira com os prêmios, mas evitou tocar nas questões políticas envolvendo seu país. "O que mudou foi que  meu filme teve chance de ser visto em um número muito maior de lugares", disse ele. "E foi muito celebrado no meu país."