12/02/2012 - 03h59

No terceiro dia, Berlim exibe dois concorrentes ao Urso que apostam no conteúdo político

Alessandro Giannini
Do UOL, em Berlim
  • Cena de "Barbara", de Christian Petzold

    Cena de "Barbara", de Christian Petzold

No terceiro dia do Festival de Berlim 2012, a política se impôs entre os candidatos aos Ursos de Ouro e Prata. Primeiro com o ótimo "Cesare Deve Morire", dos veteranos irmãos italianos Paolo e Vittorio Taviani ("A Noite de São Lourenço"). Depois, com o primeiro representante alemão da mostra competitiva a ser exibido na Berlinale, "Barbara", de Christian Petzold.

O filme italiano acompanha o processo criativo de uma montagem teatral de "Julio Cesar", de William Shakespeare, feita por prisioneiros da penitenciária de Rebbibia, em Roma. Desde os testes para a escolha do elenco até a encenação, passando pelo processo de interiorização dos personagens pelos atores e os ensaios propriamente ditos, tudo é registrado de forma semi-ficcional, inclusive os momentos de tensão entre os prisioneiros.

De todos os atores, apenas o diretor da peça, Fabio Cavalli, um dos professores de teatro da penitenciária, Maurilio Giaffreda, e mais dois ex-detentos, Salvatore Striano (Brutus) e Fabio Rizzuto (Stratus), não cumprem pena. Todos os outros são ex-soldados das diferentes máfias regionais italianas, alguns condenados por assassinato, tráfico e outros delitos.

Rodado quase todo em preto e branco, o filme tem um registro onírico, pretendido pelos diretores. "Porque a cor é realista e o preto e branco não é", disse ele. "Queríamos fugir do naturalismo da TV e conseguimos isso com a ausência de cor, que nos deu mais liberdade para criar dentro das pequenas celas e corredores da penitenciária."

"Barbara" se passa na Alemanha Oriental, nos anos 70, no auge da Guerra Fria. A personagem título, interpretada por Nina Hoss, é uma médica de ótima reputação transferida para uma pequena cidade do interior por razões políticas. Vigiada por agentes locais, ela recebe dinheiro de um amante da Alemanha Ocidental, que quer ajudá-la a financiar sua fuga.

Petzold mostra uma Alemanha Oriental sem olhar preconceituoso, sem indicações que possam pesar no julgamento do espectador. Tudo é informado pelo comportamento dos personagens e pela reconstituição da época, pelos cenários e objetos de cena. Para manter o distanciamento, o diretor se apoia em um roteiro sem muitos diálogos e que aposta na expressividade das interpretações. Uma equação nada fácil de conseguir.