19/03/2012 - 17h37

"Acho que Raul Seixas morreu por amor", conta diretor de documentário sobre o cantor

Ana Okada
Do UOL, em São Paulo
  • Cartaz do filme "Raul Seixas - O início, o fim e o meio"

    Cartaz do filme "Raul Seixas - O início, o fim e o meio"

No documentário "Raul – O início, o fim e o meio", sobre Raul Seixas, chama a atenção a quantidade de mulheres que se relacionaram com o cantor e mantiveram sua paixão por ele --mesmo quando os relacionamentos ocorriam ao mesmo tempo. Uma, no entanto, é a exceção: sua primeira mulher, Edith, que foi embora para os Estados Unidos levando a filha do casal, Simone, e nunca mais voltou. Para o diretor Walter Carvalho, Raul "morreu por amor" à Edith.

Carvalho explicou sua tese, em entrevista coletiva para a imprensa nesta segunda-feira (19), em São Paulo: "Raul, quando resolveu deixar a Edith para se casar com outra mulher, na minha cabeça eu achava que ele [achava que] conseguiria voltar e estava tudo certo, mas ela se mandou [para os EUA]. Ele passou a vida inteira tentando voltar para essa mulher, ver a filha, e nunca mais viu... Acho que isso ajudou o processo de boemia, de auto-destruição".

O diretor cita ainda outras passagens, narradas pela mãe de Raul e pelo presidente do fã-clube dele, Sílvio Passos, que disseram já ter visto o cantor chorar quando se falava de Edith. Atualmente, a primeira mulher do maluco beleza vive nos Estados Unidos, e se recusou a falar sobre o passado para o documentário. A filha do casal, Simone, não fala mais português e diz não se lembrar do pai.

Raul conheceu Edith na adolescência. Para convencer o pai dela, um pastor protestante, de que era um bom partido, o cantor largou sua banda da época, "Os Panteras", e prestou vestibular. Depois de casados, Raul voltou para a banda e foi para o Rio de Janeiro com a mulher.

TRAILER DE "RAUL SEIXAS - O INÍCIO, O FIM E O MEIO"

O filme traça a carreira do cantor da infância na Bahia, quando conheceu Elvis Presley, até sua morte, aos 44 anos, vítima de uma parada cardíaca, consequência da saúde debilitada pelo alcoolismo e pelo diabetes. O diretor buscou mostrar informações inéditas sobre o artista, tais como detalhes de como ele era na adolescência. Carvalho foi convidado a dirigir o projeto, idealizado por Denis Feijão, e diz que o que o motivou foi a identificação com o gosto de Raul por Elvis Presley --o diretor conta que não era fã do cantor. "Foi nesse viés que fui descobrindo o valor, o legado de Raul Seixas. Não fui eu que escolhi Raul, Raul que me escolheu", diz.

Carvalho demorou um ano e seis meses para resumir cerca de 400 horas de gravações a um filme de duas horas de duração. No material constam mais de noventa entrevistas, incluindo relatos de amigos, familiares, fãs e de seu parceiro mais ilustre e controverso, Paulo Coelho. O escritor definiu a amizade entre os dois como um casamento "sem sexo". "Tinha amizade, companheirismo... Só não tinha sexo".

Para o cineasta, o sucesso do cantor foi um fenômeno sem explicação, e ele define Raul como um "meteoro". "Tem gente que vem para passar rápido, o Raul é um meteoro. Se a gente fizer as contas, de 72 a 89 são 17 anos, quem é que fez esse sucesso, vendendo os discos que vendeu e continua fazendo até hoje? Roberto Carlos está há 50 anos na parada. Caetano, Gil, todos já ficaram velhos, estão ficando senhores. Ele morreu velho fisicamente, mas tinha só 44 anos."

O filme estreia nos cinemas nesta sexta-feira (23).