Crítico Amir Labaki, diretor do festival "É Tudo Verdade"

Crítico Amir Labaki, diretor do festival "É Tudo Verdade"

22/03/2012 - 07h00

Para diretor do É Tudo Verdade, produção documental brasileira vive bom momento; festival começa nesta quinta (22)

Natalia Engler
Do UOL, em São Paulo

O festival de documentários É Tudo Verdade abre sua 17ª edição nesta quinta-feira (22), com sessão para convidados de “Tropicália”, de Marcelo Machado, no Espaço Unibanco Pompeia, em São Paulo. O evento ocorre simultaneamente na capital paulista e no Rio de Janeiro, onde a sessão de abertura, nesta sexta (23), terá a exibição de “Jorge Mautner - O Filho do Holocausto”, de Pedro Bial e Heitor D’Alincourt.

Para o crítico Amir Labaki, idealizador e diretor do festival, os filmes escolhidos para abrir o evento dialogam, apesar de serem muito diferentes, e “vieram para ficar”. “A coincidência de terem ficado prontos ao mesmo tempo mostrou que são filmes que rimam, que dialogam – têm até sequências de arquivo comuns. Por outro lado, são estilisticamente muito diferentes. ‘Tropicália’ se estrutura sobretudo sobre a articulação de um raro material de arquivo e deixa a ferramenta da entrevista apenas para a parte final do filme. Já o filme do Pedro Bial e do Heitor D’Aliconcourt se estrutura sobretudo em cima de depoimentos e músicas, com inserção muito pontual de material de arquivo”, diz.

HOMENAGEM A EDUARDO COUTINHO

  • Divulgação

    O É Tudo Verdade 2012 presta homenagem ao cineasta Eduardo Coutinho, que recebe uma retrospectiva com títulos que marcaram sua carreira até a realização de "Cabra Marcado para Morrer" (1984), que será exibido em cópia restaurada


O evento começa com otimismo em relação ao cinema documental brasileiro. “O estado das coisas é bom. Houve vários avanços nas últimas duas décadas nas áreas de produção, distribuição e debate. É muito sintomático que quase 50% das estreias brasileiras no ano passado foram de documentários. Nesses 17 anos de existência do É Tudo Verdade, passamos de um quadro de radical marginalidade para um quadro mais positivo de presença em salas. A produção cresceu em quantidade, se diversificou, uma nova geração está marcando presença em festivais e nas salas do Brasil”, acredita Labaki. O crítico ressalta, no entanto, que ainda há campo para que a produção documental atinja melhores resultados nas bilheterias e que falta aprimorar os mecanismos de financiamento do gênero, em especial nas áreas de exibição, distribuição e marketing.

A edição 2012 do É Tudo Verdade exibirá 80 documentários, entre os cerca de 1,2 mil recebidos e analisados pela organização, que teve como critério de seleção a “excelência”. “O festival não seleciona por tema, estilo ou nacionalidade. A nossa equipe de seleção é formada por críticos, acadêmicos e cineastas e selecionamos aqueles filmes que nos parecem os mais originais no campo do documentário de criação”, diz Labaki.

FILMES DE ABERTURA

  • Divulgação

    "Tropicália", de Marcelo Machado, e "Jorge
    Mautner - O Filho do Holocausto", de Pedro Bial e Heitor D'Alincourt, abrem o festival É Tudo Verdade em São Paulo e no Rio, respectivamente


Entre as produções brasileiras escolhidas, o crítico aponta uma grande variedade de temas e vertentes, que, no entanto, apontam para dois grupos. “Não dá pra se falar em vetores hegemônicos. O que se pode perceber é que neste ano temos dois grupos de filmes. Um grupo é daqueles em que o cineasta pega sua câmera e vai enfrentar a realidade brasileira, herdeiro do cinema direto, uma tendência que sempre foi forte no documentário brasileiro e ainda continua. O outro grupo é o que traz a renovação do documentário histórico. Não é à toa que temos documentários sobre figuras de diversas artes – uma crítica [Barbara Heliodora, no curta “Barbara em Cena”], o Drummond [“Consideração do Poema”]. Mas um filme é diferente do outro. Revisitamos uma tendência que está sendo renovada com novos procedimentos estéticos e narrativos”, conta.

Além das mostras competitivas nacional e internacional, o É Tudo Verdade 2012 conta ainda com retrospectiva do cineasta argentino Andrés di Tella e do brasileiro Eduardo Coutinho, além de exibições especiais de produções de nomes como Werner Herzog e Victor Kossakovsky.

Ao ser questionado sobre quais produções integrantes da programação são imperdíveis, Labaki rebateu com uma proposta: “Eu gosto de inverter essa pergunta com um desafio: feche os olhos, escolha um filme e a sala e vá assistir, porque você não vai se arrepender”.
 


É TUDO VERDADE 2012 - SÃO PAULO
Quando: de 22 de março a 1º de abril
Onde: Cinesesc (r. Augusta, 2.075, Jardim Paulista), CCBB (r. Álvares Penteado, 112, Centro), Cinemateca Brasileira (lgo. Senador Raul Cardoso, 207, sala BNDES) e MIS (av. Europa, 158, Pinheiros)
Quanto: grátis

É TUDO VERDADE 2012 - RIO DE JANEIRO
Quando: de 23 de março a 1º de abril
Onde: Espaço Itaú de Cinema Botafogo (praia de Botafogo, 316, sala 6), CCBB (r. 1º de Março, 66, Centro), Instituto Moreira Salles (r. Marques de São Vicente, 476, Gávea), Oi Futuro (r. Visconde de Pirajá, 54, Ipanema) e Espaço Museu da República (r. do Catete, 153, Catete)
Quanto: grátis

Programação completa no site do É Tudo Verdade 2012