Thor (Chris Hemsworth) e Capitão América (Chris Evans) lutam juntos em cena de "Os Vingadores", de Joss Whedon

Thor (Chris Hemsworth) e Capitão América (Chris Evans) lutam juntos em cena de "Os Vingadores", de Joss Whedon

26/04/2012 - 21h14

"Os Vingadores" economiza nas referências nerds obscuras e abre espaço para o humor

Roberto Sadovski
Do UOL, em São Paulo

Filmes de super-heróis não ficam maiores que "Os Vingadores", o blockbuster barulhento e divertidíssimo que a Marvel vem sinalizando colocar nos cinemas desde que se tornou "independente" com "Homem de Ferro", em 2008, e estreia nesta sexta (27). Era uma missão impossível, que encontrou no diretor Joss Whedon seu timoneiro perfeito: familiar em conduzir dinâmicas de grupo (são dele as séries "Buffy" e "Firefly") e fanático por quadrinhos, ele se mostrou afiado para equilibrar uma trama necessária para unir os heróis mais poderosos da Terra com espetáculo e cenas de ação em nível cósmico, de fazer Michael Bay corar de inveja.

O mais importante é que Whedon entende que, até chegar no caos e na destruição, o público precisa se importar com o que acontece em cena. Não basta explodir: algo real e palpável precisa estar em jogo. Precisa ter sentido.

Na trama de Zan Penn, reescrita com profundidade pop pelo próprio diretor, o semideus Loki encontra um caminho para sair de seu exílio espacial (onde ele foi parar ao fim de "Thor", lançado em 2011) e volta sua vingança para a Terra. A seu lado, um exército alienígena sem face e uma entidade nas sombras, manipulando as marionetes. É a oportunidade que Nick Fury (Samuel L. Jackson) precisa para reunir seus Vingadores, do Capitão América (Chris Evans) ao Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), passando por Thor (Chris Hemsworth) e Bruce Banner (Mark Ruffalo), alter ego do incrível Hulk. Na mistura, os agentes da S.H.I.E.L.D. Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner).

O bacana de "Os Vingadores" é o ritmo que o roteiro toma para (re)apresentar os jogadores no tabuleiro. Depois de um começo explosivo, Joss Whedon toma seu tempo para reorganizar sua terapia em grupo, colocando cada membro da equipe em seu lugar e preservando suas personalidades, já apresentadas em filmes de terceiros – quem mais ganha é o Hulk, que tem seu melhor intérprete e sua melhor representação no cinema.

Em tempo de pressa em apertar o botão dos fogos de artifício, é revigorante ver um filme deste tamanho preocupado com pequenos momentos, que dão dimensão do lugar de cada personagem. Isso é sinal da confiança da Marvel em Whedon, que salpica o filme com muito bom humor (Thor dizendo sobre Loki “Ele é adotado” vai te fazer rir; “Hulk, esmague” também), não perde tempo entupindo o filme com referências nerd obscuras que mais atrapalham que ajudam e engata um terceiro ato tão acelerado que as poltronas do cinema precisarão de cintos de segurança.

CIRANDA DOS VINGADORES - ENTENDA AS RELAÇÕES ENTRE OS HERÓIS DA SÉRIE

  • Arte/UOL

Embora ajude ser letrado ao menos em "Homem de Ferro 2" (2010) e e em "Thor" (assistir a" Homem de Ferro" e "Capitão América - O Primeiro Vingador", de 2011, confere maior dimensão à trama; "O Incrível Hulk", de 2008, é opcional), o prazer de ver "Os Vingadores" não é só para iniciados.

A escolha da Marvel em tratar seus filmes como capítulos em um universo coeso, assim como acontece nos gibis, é revolucionária e até arriscada: sendo resultado de filmes diferentes, e não de uma marca como "Harry Potter" ou o novo "Jogos Vorazes", a associação de continuidade, em tempos de filmes-produtos, não é imediata. Mas funciona. "Os Vingadores" não engasga na cronologia estabelecida por seus antecessores e entrega uma aventura coesa, que pega sem esforço seu lugar como o melhor filme da Marvel. Mesmo que cada um siga seu caminho depois do dever cumprido, fica claro que é só o começo da jornada – e o primeiro passo, como sabemos, é o mais importante.