Cena do filme "Mekong Hotel", de Apichatpong Weerasethakul (2012)

Cena do filme "Mekong Hotel", de Apichatpong Weerasethakul (2012)

18/05/2012 - 09h02

Tailandês vencedor da Palma de Ouro em 2010 volta a Cannes com "filme de estudante"

Thiago Stivaletti
Do UOL, em Cannes

Palma de Ouro em 2010 por “Tio Boonmee que pode recordar suas vidas passadas”, o tailandês (tente pronunciar este nome) Apichatpong Weerasethakul apresentou nesta quinta-feira (17), fora de competição, seu novo filme, “Mekong Hotel”.

Foi difícil conter a decepção com o novo trabalho – apesar de ter apenas uma hora de duração, alguns espectadores saíram antes do filme terminar. Depois do choque de criatividade de “Tio Boonmee...”, o tailandês mostrou uma obra com cenas mal iluminadas que mais parece um filme de estudante, ou um ensaio para um outro filme melhor.

“Mekong Hotel” é todo passado no hotel do título, que fica à beira do rio Mekong, fronteira natural entre a Tailândia e o Laos. Lá, uma moça conhece um rapaz e eles se apaixonam. Ela vive o tempo todo no quarto com a mãe. Apichatpong insere aqueles elementos surreais que marcaram sua obra e que dão ao filme um certo encanto: a mãe é uma espécie de vampira, diz que vive há 600 anos naquele quarto, e numa cena aparece comendo as tripas da filha.

Mas o resultado fica mesmo próximo do rascunho e do filme caseiro, tudo embalado por uma melodia chorosa de violão que toca do começo ao fim do filme, sem interrupção. O diretor afirma que a música mimetiza o curso ininterrupto do rio. Mas o que consegue mesmo é causar um tédio mortal.

Turismo sexual

Na quinta, a competição do festival apresentou seu pior filme até agora: o austríaco “Paradies: Liebe” (Paraíso: Amor), de Ulrich Seidl. O filme acompanha Teresa, uma senhora austríaca de meia-idade que, seguindo o conselho de uma amiga, embarca numa viagem de turismo sexual para o Quênia, na África.

Carente, Teresa se envolve com um nativo e se apaixona, para logo perceber que ele só quer o seu dinheiro. Não contente com o erro, envolve-se ainda com um segundo, que só quer a mesma coisa. Jogando na chave do humor negro, o filme é repleto de cenas de sexo constrangedoras – na principal, quatro amigas contratam um adolescente para “dar de presente” a Teresa no seu aniversário, e começam um jogo para saber quem consegue excitá-lo primeiro. Grosseiro e desnecessário.