Michael Fassbender em cena de "Prometheus"

Michael Fassbender em cena de "Prometheus"

09/06/2012 - 07h05

Roteirista de "Prometheus" diz que fãs não devem esperar "prequel" de "Alien"

Ian Spelling

Damon Lindelof é o rei dos projetos altamente secretos. Começou neste tipo de coisa com “Lost” (2004-2010), que ele cocriou/coescreveu/coproduziu – e promoveu - por toda sua duração. Assim como fez como roteirista e/ou produtor de “Star Trek” (2009) e “Cowboys & Aliens” (2011), está fazendo com “Prometheus”, épico de ficção científica do diretor Ridley Scott, que será lançado nos Estados Unidos em 8 de junho. 

Lindelof está ao telefone agora em seu escritório em Los Angeles para falar sobre o longa, que acompanha a tripulação da nave espacial Prometheus em uma aventura na parte mais sombria do universo, apenas para libertar uma ameaça alienígena capaz de destruir a humanidade.

É claro que a pergunta na mente de todo mundo é, essas criaturas extraterrestres são as mesmas que habitavam o clássico “Alien, o Oitavo Passageiro” (1979) de Scott? Há indícios óbvios de que as duas histórias estão ligadas... mas como?

“O que foi realmente empolgante para mim a respeito disso é que realmente gosto quando grandes ideias são apresentadas por meio de ficção científica”, diz Lindelof. “O primeiro ‘Alien’ é um clássico do horror. Aquele era um cenário de horror em ficção científica, mas eu não diria que as ideias eram realmente grandes, em termos de valor temático.

Se você pegar um filme como ‘Blade Runner –O Caçador de Androides’ (1982), ele é repleto de ideias temáticas: o que significa ser humano? Devemos criar robôs à nossa própria imagem? Esses robôs estão vivos? É realmente uma obra que faz pensar.”

“Eu senti: ‘E se “Prometheus” fosse uma mistura entre o “Alien” original e “Blade Runner” em termos de conteúdo?’ Ele ainda poderia ter esses elementos tradicionais de horror, mas ao mesmo tempo poderia apresentar algumas ideias em grande escala enxertadas naquele mundo que Ridley não visita há três décadas, já que ele dirigiu ‘Blade Runner’.”

“Logo, isso é o que ‘Prometheus’ representou para mim –no modo mais vago imaginável”. Provoque ou pressione Lindelof o quanto quiser e ele ainda assim não dirá claramente se “Prometheus” é ou não uma “prequel” de “Alien, o Oitavo Passageiro”. Mas ele reconhecerá contrariado que os espectadores verão algum DNA de “Alien” em “Prometheus”.

“Tudo o que digo é, assista ao trailer. Veja a forma como o título se revela. Veja a forma como os cenários foram desenhados. Veja a sensação que transmite e se faça a pergunta: ‘Eu acho que isso está de alguma forma ligado ao “Alien, o Oitavo Passageiro” original?’ Nós não estamos tentando ser astutos. Ao mesmo tempo, nós não queremos dizer ao público exatamente o que esperar.”

Mas ao mesmo tempo, ele também parece descartar a ideia de “Prometheus” como sendo uma “prequel” convencional. “Na minha opinião, uma prequel é, por definição, uma série de eventos que leva ao filme original. Logo, se você fizer uma prequel para ‘Star Wars’ (‘Guerra nas Estrelas’, 1977), você basicamente terminará no ponto em que ‘Star Wars’ começa. Você entenderá como Luke chegou a Tatooine, etc. Assim, se ‘Star Wars’ é Z, as prequels são A até Y.”

“Eu não acho que é interessante fazer uma prequel onde você basicamente vai ao cinema já sabendo como o filme termina. Então o que eu digo é que se houver uma sequência de ‘Prometheus’, não será ‘Alien, o Oitavo Passageiro’.”

Apesar de esquivo em relação aos fatos da história, Lindelof mal consegue conter seu entusiasmo a respeito da experiência de trabalhar em “Prometheus”. Ele fala de forma radiante sobre colaborar com Scott, escrever diálogos para o elenco estelar do filme e ver seu nome na tela durante os créditos.

“É uma experiência muito estranha. Elas não parecem minhas palavras, especialmente quando você trabalha com atores como Noomi Rapace, Michael Fassbender, Charlize Theron ou Idris Elba. Eles se apossam das palavras. Assim, quando você está lá sentado assistindo, a sensação é que deixou de ser seu.”


se houver uma sequência de ‘Prometheus’, não será ‘Alien, o Oitavo Passageiro’.”

Damon Lindelof

“Além disso, este filme é 100% a visão de Ridley. Assim eu pude ser um espectador de uma forma que não parece que eu contribuí pessoalmente ao processo. É sempre muito mais fácil para mim fazer as coisas desse modo. Em ‘Lost’, foi muito pessoal. Eu a criei, juntamente com Carlton Cuse, Jack Bender e os outros roteiristas. Era nossa visão. Logo, esse sentimento que você descreve era muito mais endêmico em ‘Lost’, enquanto este...Estes não são meus brinquedos. Eu apenas pude pegá-los e brincar com eles temporariamente. Então pude curtir o processo com meu boné de fã.”

Quanto aos próximos projetos de Lindelof, ele oferece um educado “é cedo demais para discutir a respeito”. O filme a que se refere é “1952”, com direção de Brad Bird.

A sequência de “Star Trek” foi concluída recentemente, e ninguém envolvido dirá nada, incluindo Lindelof. Mas ele diz que há certa liberdade no novo filme. A série “Star Trek” (“Jornada nas Estrelas”) apertou o botão de reset ao reintroduzir os personagens lendários e colocá-los em um universo alternativo. Isso liberou os cineastas para criarem novas histórias.

“Nós sentimos que recebemos de nossos pais as chaves desse carro incrível chamado ‘Star Trek’, e eles apenas disseram: ‘Não estraguem o carro. Aqui está o manual de instruções. Há certas coisas que vocês não podem fazer, certas coisas que não devem fazer para permanecerem fiéis a ele. Mas fora isso, podem se divertir.”

“Logo, é altamente libertador não estar casado ao imenso cânon já estabelecido, não apenas pela série original, mas por todas as outras séries e filmes. Mas também é confortável saber que há regras invioláveis que não podemos e nem devemos quebrar para permanecermos fiéis ao coração de tudo ligado à ‘Star Trek’. Essas são as traves para dentro das quais tentamos chutar a bola.”

 

Tradução: George Andolfato