Michael Peña e Jake Gyllenhaal em cena de "End of Watch"

Michael Peña e Jake Gyllenhaal em cena de "End of Watch"

16/09/2012 - 12h52

Filme com Jake Gyllenhaal erra ao usar estilo "found footage" para mostrar vida de policiais

Mariane Morisawa
Especial para o UOL, em Toronto

A vida dos policiais não anda nada fácil. “Marcado para Morrer”, de David Ayer, exibido em sessão cheia para o público na noite do sábado (15), no Festival de Toronto, acompanha o cotidiano de dois agentes da lei em Los Angeles: Brian Taylor (Jake Gyllenhaal) e Mike Zavala (Michael Peña). O filme tem estreia prevista no Brasil para outubro.

De cara, eles enfrentam uma perseguição que acaba com os dois suspeitos mortos. Depois, vão topar com casos cada vez mais escabrosos, envolvendo os cartéis mexicanos infiltrados em território americano, tudo mostrado em cenas bem explícitas de faca no olho e cabeças decepadas.

Enquanto isso, tentam equilibrar a vida pessoal. Mike é casado desde a adolescência com Gabby (Natalie Martinez), que está grávida, e Brian acaba de conhecer Janet (Anna Kendrick). Também precisam lidar com a inveja dos companheiros quando são declarados heróis ao entrar numa casa em chamas para salvar três crianças.

Está aí um dos problemas do filme: os policiais não têm um momento de dúvida, sempre tomam a atitude mais heroica. Se fosse um institucional da polícia, não seria tão eficiente. O outro é o suposto realismo das cenas, que inclui até bebês amordaçados com silver tape – como eles fizeram isso sem traumatizá-los é uma questão.

Ayer optou por utilizar o estilo “found footage”. Brian está filmando tudo, até ações perigosas, com uma câmera, para um trabalho da faculdade. A questão é que, ao fazer isso, a credibilidade vai para o espaço. Afinal, como um policial conseguiria filmar tudo aquilo? Os ângulos e cortes entre a câmera do personagem e a câmera do filme não fazem sentido assim. É um erro que estraga “Marcado para Morrer”, que, no fundo, poderia ser um bom filme.