20/09/2012 - 07h30

Mark Wahlberg revela que agente o convenceu a atuar ao lado de ursinho sacana em "Ted"

Ana Maria Bahiana
Do UOL, em Los Angeles (EUA)
  • Em cena de "Ted", John Bennett (Mark Wahlberg) é um adulto imaturo, que divide seu apartamento com um ursinho de pelúcia falante, bebendo e fumando maconha

    Em cena de "Ted", John Bennett (Mark Wahlberg) é um adulto imaturo, que divide seu apartamento com um ursinho de pelúcia falante, bebendo e fumando maconha

Quando o ator Mark Wahlberg soube qual era a premissa do filme "Ted" -- a amizade entre um homem e um ursinho de pelúcia --  não gostou nem um pouco. “Me pareceu idiota, ridícula. Não me interessou em nada”, confessou o ator de 41 anos, protagonista do longa assinado por Seth MacFarlane, criador da série de TV "Uma Família da Pesada". A produção tem estreia prevista para esta sexta-feira (21) nos cinemas brasileiros.

Assessorado pelo mesmo agente de Wahlberg, Seth MacFarlane tinha o ator em mente desde que escreveu o roteiro. “Ele insistia para que eu desse uma chance ao projeto e lesse o texto”, conta Wahlberg, em entrevista ao UOL, em Los Angeles. O astro de "O Vencedor" chegou a se irritar com seu empresário. “Fiquei aborrecido. Que pressão era aquela? Mas ele insistiu tanto que acabei lendo”, diz.

O resultado? “Comecei e não larguei mais. Quando eu estava na página 30, percebi que nem tinha notado a presença do urso. Tinha me esquecido totalmente do urso.”

UOL - Depois de vencer sua reação inicial a "Ted", como você encara a história e o personagem John Bennett?
Mark Wahlberg -
É uma grande história sobre relacionamentos, centrada nesse dilema sensacional: meu personagem tem uma namorada superbacana que ele não quer perder e, ao mesmo tempo, deseja passar o resto de sua vida com seu melhor amigo.

Depois que você leu o roteiro você ficou plenamente convencido de que não era mais ridículo?
Minha única dúvida era como Seth ia realizar a parte técnica e dosar o tom do filme. Isso me preocupava um pouco. Não queria ter que piscar para a plateia, enfatizar o absurdo da situação. Fui franco com Seth: eu queria interpretar o papel como eu faria qualquer outro drama, gostaria de manter o realismo, a integridade e a realidade do dilema do cara.

Como foi trabalhar em grande parte das cenas sem um interlocutor?
Isso também me preocupou, mas só até começarmos a filmar. Daí eu notei que delícia é não ter outro ator por perto durante meses! Seth estava sempre por perto fazendo a voz do Ted, mas não era a mesma coisa. Eu fiquei livre para experimentar coisas novas. Meu único receio foi a cena da briga com Ted: achava que seria absolutamente ridículo, me senti feito um idiota. Mas Seth me transmitia calma e dizia para eu confiar nele. Deu certo, é uma das cenas favoritas do público.

Você conhecia Seth antes de "Ted"?
Não, mas acabei colocando muita confiança nas mãos dele. Meu agente disse que ele havia criado uma série de TV chamada "Uma Família da Pesada". Confesso que nunca tinha visto, mas Seth me mandou vários episódios. Um dia me sentei com meus filhos para ver. Rimos tão histericamente que minha mulher veio correndo pra saber se estávamos passando mal. Mas ver o desenho confirmou a impressão que tive ao ler o roteiro: ele é um dos caras mais inteligentes, talentosos e engraçados na indústria.

O que você acha da dependência do seu personagem em relação ao ursinho?
Dependência é uma coisa que compreendo muito bem. Durante muito anos tive problemas com drogas e álcool. Não foi exatamente a melhor fase da minha vida, mas me deu a capacidade de compreender o que é a dependência. Ficou mais fácil saber o que se passava pela cabeça do meu personagem, o pavor de não ter ninguém em sua vida, nenhum amigo, ficar tão só a ponto de criar um amigo imaginário.