O curta de ficção "A Mão que Afaga", de Gabriela Amaral Almeida, traz a história de uma festa de aniversário para um menino de nove anos que tem poucas chances de dar certo

O curta de ficção "A Mão que Afaga", de Gabriela Amaral Almeida, traz a história de uma festa de aniversário para um menino de nove anos que tem poucas chances de dar certo

21/09/2012 - 17h44

Curta que mostra atendente de telemarketing solitária arranca risos no Festival de Brasilía

James Cimino
Do UOL, em Brasília

Depois de duas noites com destaque para os documentários, um curta de ficção apresentado na terceira noite do 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro finalmente chamou a atenção. “A Mão que Afaga”, da baiana radicada em São Paulo Gabriela Amaral Almeida, arrancou gargalhadas da plateia ao contar a história de uma atendente de telemarketing que tem sérios problemas de comunicação.

Mãe solteira, Estela prepara uma festa de aniversário para seu filho de nove anos, mas que tem pouquíssimas chances de dar certo. Primeiro porque ela mal consegue se aproximar do menino Lucas. Segundo porque, embora converse com “mais de 200 pessoas por dia”, Estela não parece ter amigos.

Parte dessa inibição é fruto da natureza de sua profissão, que a coloca invariavelmente em confronto verbal com seus clientes. Isso deixa Estela cada vez mais inibida, insegura e carente, a ponto de tentar uma aproximação erótica com o “urso amoroso”, que contratara para animar a festa de seu filho.

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“Tudo que eu filmo passa pelo interior da personagem. Então aquilo que o espectador vê é a visão subjetiva sempre. É a forma como eu traduzo a visão que eles têm do exterior. Mas embora o filme tenha arrancado muitos risos, não trabalho com comédia. Trabalho com farsa. As situações são absurdamente risíveis, mas o personagem central está sofrendo”, explica a diretora.

Sobre seu processo de criação, Gabriela diz trabalhar sobre o tripé direção, fotografia e direção de arte. Conta também que, por ser uma desenhista frustrada, costuma desenhar previamente todas as cenas do filme antes de discutir os enquadramentos a serem usados. Tudo isso para que haja um “controle do riso”, para que uma gargalhada não se sobreponha à outra.

“A gente sempre trabalha com o tempo do riso, para que a pessoa ria, fique constrangida com o riso e depois fique em silêncio. Se você reparar, metade das cenas é drama e a outra metade é comédia.”