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28/03/2008 - 09h10

Irã diz que filme de deputado holandês é uma vingança contra o Islã

TEERÃ, 28 Mar 2008 (AFP) - O Irã condenou energicamente nesta sexta-feira um filme contra o Islã difundido na véspera na internet por um deputado holandês de extrema-direita, denunciando 'uma vingança' por parte de certos ocidentais contra a religião muçulmana.

"Esta ação repugnante realizada por um deputado holandês e uma companhia britânica (em cujo site foi publicado o filme) ilustra a vingança por parte de alguns cidadãos ocidentais contra o Islã e os muçulmanos", afirmou o porta-voz do ministério de Relações, Mohammad Ali Hosseini, em um comunicado.

O porta-voz taxou o filme de "provocador" e advertiu contra as "repercussões" de sua difusão. Também fez um apelo aos governos da Holanda e Grã-Bretanha e a União Européia para que atuem para impedir a difusão de um filme 'insultante para o Islã'.

O primeiro-ministro holandês, Jan Peter Balkenende, também rejeitou a versão do Islã apresentada em um filme do deputado holandês de extrema-direita Geert Wilders.

"O filme relaciona Islã e violência, e nós rejeitamos essa interpretação", declarou Balkenende, em mensagem divulgada pela TV em holandês e em inglês.

"Lamentamos que Wilders tenha difundido esse filme", completou o líder cristão-democrata, acrescentando: "Achamos que não tem outro objetivo a não ser o de ofender. Sentir-se ofendido não deve servir nunca, porém, de desculpa para a agressão, ou para a ameaça".

"O governo se reconforta com as primeiras reações das organizações muçulmanas holandesas", concluiu o premier, anunciando que seu país "se ocupará, energicamente, de qualquer um que viole a lei".

Wilders, fundador do Partido da Liberdade, disponibilizou na Internet o polêmico curta, no qual denuncia o caráter "fascista" do Alcorão, livro que compara ao "Minha Luta", escrito por Adolf Hitler.

No outono passado, quando o projeto foi anunciado, países muçulmanos, como Irã e Egito, expressaram sua indignação com o filme e ameaçaram a Holanda com um boicote econômico pelo que consideravam "ataques gratuitos" à religião muçulmana.

Associações islâmicas holandesas pediram calma aos fiéis, suplicando para que não respondam à provocação.

Várias vezes, o governo holandês tentou convencer Wilders a renunciar a seu projeto, temendo uma reação similar à ocorrida após a publicação de charges do profeta Maomé na imprensa dinamarquesa.

No final de fevereiro, os talibãs ameaçaram os 1.660 soldados holandeses presentes no Afeganistão, que fazem parte da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), caso o filme fosse divulgado.

Wilders vive sob proteção policial, após o assassinato, em novembro de 2004, do cineasta holandês Theo van Gogh, cometido por um islamita radical por causa de um filme, no qual denunciava a condição da mulher no Islã.

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