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12/11/2010 - 22h01

Godard recebe neste sábado (13) o Oscar honorário pela carreira

  • A clássica foto de Jean-Luc Godard examinando a qualidade da cópia de um filme

    A clássica foto de Jean-Luc Godard examinando a qualidade da cópia de um filme

LOS ANGELES, EUA -O cineasta Jean-Luc Godard, personalidade polêmica nos Estados Unidos por seu posicionamento sobre Israel e os judeus, receberá neste sábado em Los Angeles um Oscar pelo conjunto de sua obra, mas ele já avisou que não comparecerá à solenidade, numa cidade onde os cinéfilos veneram sua herança.

O ícone da Nouvelle Vague, que completará 80 anos em dezembro, será homenageado na noite deste sábado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas durante a entrega dos Governors Awards, ao lado de Francis Ford Coppola e do ator Eli Wallach.

Após hesitação de vários meses, o cineasta pôs fim ao suspense no final de outubro, anunciando que não iria pegar sua estatueta em Los Angeles, sem dar o motivo.

Uma polêmica sobre sua presença havia sido levantada em meados de outubro, num artigo divulgado na primeira página do Jewish Journal, intitulado "Jean-Luc Godard é antissemita?"

A publicação americana enumerou, então, múltiplas polêmicas desencadeadas pelo cineasta, antissionista assumido e defensor da causa palestina, que incluiu em seu documentário "Aqui e lá" (Ici et ailleurs, 1976) imagens de Hitler e da antiga primeira-ministra de Israel Golda Meir.

Os fãs do cineasta lotaram na quarta-feira à noite a projeção de "Film Socialisme" durante o festival do American Film Institute (AFI Fest) em Hollywood.

"Godard é um cineasta brilhante que sempre tem algo de interessante para dizer e para passar na tela", declarou à AFP Kirk Stricker, professor de ioga. Citando de memória toda a filmografia do cineasta, ele confessou sua fascinação por "sua estética, seus pontos de vista políticos, a mistura de palavras e imagens, palavras e música, palavras e silêncio".

Julio Perez, jovem editor e diretor, garantiu, por sua vez, ter ficado "hipnotizado" com "Acossado" (A Bout de Souffle - 1960). "Tento ver um filme uma vez por ano, é como uma peregrinação cinematográfica. Godard ousa, ele é radical, suas ideias são libertadoras e excitantes para os diretores", disse.

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