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19/02/2011 - 19h08

Depois de Urso de Prata em 2009, Asghar Farhadi ganha prêmio máximo com ''Nader and Simin''

BERLIM  -O Urso de Ouro da 61ª edição do Festival de Berlim foi atribuído este sábado ao filme "Nader and Simin - a Separation", um drama familiar passado em Teerã do diretor iraniano Asghar Farhadi, que traz à tona o conflito entre a dura tradição religiosa muçulmana e o desejo de mudanças da juventude. Asghar Farhadi, de 38 anos, havia ganhado em 2009 o Urso de Prata de melhor diretor com o filme "Procurando Elly".


Todos os intérpretes do filme ganharam, em conjunto, os Ursos de Prata para os melhores atores e atrizes: Leila Hatami, Peyman Moadi, Shahab Hosseinini, Sareh Bayat, Sarina Farhadi, filha do diretor, e Babak Karimi. O filme foi recebido com aplausos calorosos em sua exibição na última terça-feira, quando emergiu como forte candidato ao prêmio máximo do Festival de Berlim.

"Nader and Simin" leva para as telas outra história fascinante do meio urbano iraniano, através da vida de um casal em crise que se envolve em um problema judicial.

O filme conta a história de uma mulher que quer se divorciar para poder levar a filha de 11 anos para viver fora do Irã, explicando indiretamente a um juiz "que nenhuma menina deveria ser criada nesta situação".

Seu pedido não é atendido, e assim Simin e seu marido, Nader, concordam com uma separação informal, e a menina fica com o pai. Mas ele tem que cuidar do próprio pai, que sofre de mal de Alzheimer.

Para ajudá-lo em casa, Nader contrata uma jovem grávida, que trabalha escondida do marido. A decisão dela se revela trágica quando ela sofre um aborto espontâneo no trabalho e a família dela culpa Nader pelo ocorrido.

Cada personagem vive um conflito moral pela morte da criança, que Farhadi revela ter sido uma forma de analisar o confronto entre princípios religiosos tradicionais e o novo ponto de vista de uma classe moderna.

"Trata-se de uma crise dos seres humanos de hoje em dia e da questão da moral", explicou o diretor aos jornalistas na apresentação do filme.

"Comparamos o que fazemos com padrões do passado. Aqueles padrões morais não podem mais ser aplicados diretamente, assim não há padrão que você possa usar como referência para as suas ações", emendou.

"Uma pessoa moderna com uma vida moderna tem muitos conflitos, por isso eu acho que as pessoas estão procurando por uma nova definição de moralidade", acrescentou.

A edição deste ano do Festival de Berlim, um dos principais eventos do cinema internacional, ressaltou o trabalho dos cineastas dissidentes iranianos e convidou o mais proeminente entre eles, Jafar Panahi, para compor seu júri.

No entanto, uma corte iraniana condenou Panahi em dezembro passado a uma pena de seis anos de prisão e à proibição de fazer filmes por 20 anos. Apesar de ter sido libertado sob fiança, o cineasta cumpre prisão domiciliar em Teerã e está proibido de viajar para o exterior.

Panahi foi condenado por fazer propaganda ilícita por trabalhar em um filme sobre a onda de protestos que se seguiu à polêmica reeleição do presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, em junho de 2009.

Na noite de abertura do festival, o júri presidido pela atriz e diretora ítalo-americana Isabella Rossellini deixou uma cadeira vazia para Panahi, que ganhou um Urso de Prata por sua comédia "Fora do Jogo", em 2006.

Farhadi admitiu que tanto ele quanto seus colegas cineastas têm sentido profundamente a ausência de Panahi em Berlim. "Vocês o conhecem por causa de seus filmes, mas eu o conheço pessoalmente", contou à imprensa. "Eu me despedi dele quando vim para cá. Fiquei extremamente triste por estar partindo para um lugar aonde ele não poderia ir e todos os diretores ao redor do mundo se sentem da mesma forma", acrescentou. Cineastas, roteiristas e artistas em geral têm criticado a intensificação da censura durante o governo de Ahmadinejad.

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