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01/09/2008 - 11h22

Filme sobre situação de índios brasileiros é aplaudido em Veneza

Da Ansa
VENEZA, 1 SET - Parte do elenco de "Birdwatchers - La terra degli uomini rossi", produção ítalo-brasileira que conta com participação do ator Matheus Nachtergaele e de mais de 200 índios brasileiros, foi às lágrimas nesta segunda-feira durante a coletiva de imprensa para a apresentação do filme que concorre ao Leão de Ouro do Festival de Cinema de Veneza.

As lágrimas e a comoção vieram sobretudo de uma das índias protagonistas, Eliane Juca da Silva, que desabafou: "a minha presença aqui é uma grande esperança".

"Não quero julgá-los, mas não temos mais floresta e precisamos caçar e pescar e não há mais nada, não há mais rios, não há mais florestas. E não há nem mesmo oportunidade para os jovens. Somos seres humanos como vocês, utilizamos as mesmas roupas que vocês. Nossos chefes religiosos não podem nem mesmo pregar. Os fazendeiros nos julgam invasores, mas nós queremos apenas a nossa terra", afirmou Eliane.

O filme, rodado em parte no Mato Grosso do Sul, narra o embate violento entre os fazendeiros e os índios que reclamam suas terras. Os primeiros possuem campos de cultivo de plantas transgênicas e passam as noites na companhia dos turistas que vão à região para observar os pássaros. Enquanto isso, nos limites de suas propriedades, os índios vivem todos os problemas de uma integração aparentemente impossível. Problemas estes que levam muitos dos jovens ao suicídio.

O índio Ambrosio Vilhalva, líder de uma reivindicação por terra e verdadeiro inspirador do filme do diretor italiano Marco Bechis, denunciou que "o índio não tem nenhum direito e quando descobre isso é levado a se suicidar".

"Conhecia um garoto de 19 anos que queria se matar porque esperava um filho e não sabia como fazer. Eu lhe dizia para combater, para esperar, mas ele no final acabou se suicidando mesmo", relatou Vilhalva.

Por sua vez, o diretor Bechis, ao final da aplaudida projeção de hoje para imprensa, afirmou que "não houve a necessidade de inventar coisas, bastou encontrar Ambrosio Vilhalva e falar de sua história".

No entanto, o diretor italiano disse não acreditar na melhora da situação dos indígenas no país. "Sou cético que alguma coisa possa realmente mudar no Brasil para os índios. A potência econômica da agricultura é muito forte. Bastaria dar somente 20% das florestas aos índios para mudar as coisas. Mas acredito que isso não irá ocorrer jamais", concluiu.

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