UOL Entretenimento Cinema
 
13/10/2008 - 15h09

Cineasta chilena recebe prêmio Salvador Allende em Festival de Trieste

Da Ansa
Por Ernesto Perez
TRIESTE - A cineasta chilena Carmen Castillo recebeu neste domingo o prêmio Salvador Allende do Festival de Cinema Latino-Americano de Trieste, nordeste da Itália, entregue anualmente a uma personalidade cinematográfica que tenha se destacado na luta pelos mesmos ideais do ex-presidente chileno.

Militante do Movimento da Esquerda Revolucionária (MIR) e assessora da filha de Allende, Beatriz, no Palácio de La Moneda, Carmen foi presa e torturada pelo regime do general Augusto Pinochet, que havia matado o companheiro Miguel Enriquez quando o Departamento de Inteligência Nacional (DINA) descobriu seu esconderijo na rua Santa Fé, em Santiago do Chile.

É justamente este episódio que a cineasta conta em seu filme "Calle Santa Fé" (Rua Santa Fé), que deveria ter sido exibido no domingo, quando foi anunciado o prêmio, mas que por problemas técnicos será projetado apenas no próximo sábado.

Carmen Castillo é atualmente uma documentarista que vive entre Santiago e Paris, cidade na qual se exilou após ser expulsa do Chile. Na França, a diretora realizou uma série de filmes para a televisão, três dos quais serão exibidos em Trieste em ocasião do prêmio.

Além de "Calle Santa Fé", projetado na seção Um Certo Olhar do Festival de Cannes do ano passado, o público em Trieste poderá conferir também "José Saramago: le temps d'une mémoire", homenagem de 2003 ao escritor português vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1998, e "La Flaca Alejandra" (1993), comovente entrevista de uma militante do MIR, Márcia Merino, obrigada sob tortura a denunciar e identificar seus companheiros, entre eles a própria Carmen e seu companheiro Miguel Enríquez.

"Estou muito emocionada por este prêmio que leva um nome que amo e admiro. Eu comecei a fazer documentários muito tarde, movida por minha necessidade de contar histórias nossas destruindo a imagem e o culto da morte, associados com as revoluções", disse Carmen ao receber o prêmio das mãos de Meri Lao, jurada oficial do festival.

"Eu quis demonstrar que valia a pena lutar pelos ideais revolucionários promovidos por Salvador Allende e pela aliança de partidos e eleitores que o levaram ao poder, mas sem glorificar o sangue derramado e a perda de vidas humanas como faziam tantos filmes que descreviam as lutas revolucionárias na América Latina", declarou.

"Agradecendo este presente dado a mim pelo festival, que tanto se preocupa em difundir o cinema latino-americano na Itália, não posso deixar de pensar na ironia de poder ver mais cinema de nossos países em Paris que nas cidades onde estes filmes foram produzidos", continuou a diretora.

Carmen se desculpou por não poder estar presente no próximo sábado na projeção de "Calle Santa Fé" dizendo que estaria em Paris "trabalhando, mas acreditem que não deixarei de estar espiritualmente com vocês junto aos espectros vivos de nossa História, lembrando a coragem, o humor e a valentia de Salvador Allende".

Veja tamb�m

Carregando...

Siga UOL Cinema

Sites e Revistas

Arquivo

Hospedagem: UOL Host