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13/04/2011 - 13h31

Após dez anos, Festival de Tribeca continua em crescimento

  • Fachada de cinema anuncia as datas do Festival de Tribeca 2011

    Fachada de cinema anuncia as datas do Festival de Tribeca 2011

Jake Coyle

NOVA YORK, EUA - Em sua década de existência, o Festival de Tribeca teve sua cota de detratores - aqueles que questionam a qualidade, a missão e a necessidade do evento.

Mas até o mais convicto dos críticos teria dificuldade de discutir com Robert De Niro, co-fundador do festival, quando ele diz que o orgulho de sua cidade natal teve participação na inspiração do Festival de Tribeca em alcançar reconhecimento mundial.

Tribeca começará a comemoração de sua 10ª edição em 20 de abril com a sessão de gala de "The Union", documentário de Cameron Crowe sobre o álbum de Elton John e Leon Russel. Após a projeção, o músico britânico se apresentará para os presentes.

As sessões gratuitas e ao ar livre acontecerão bem próximas de onde ficavam as torres do World Trade Center. É um local apropriado porque Tribeca foi fundado por De Niro e seus parceiros no despertar do 11 de setembro para ajudar a revitalizar o centro de Manhattan.

Desde então, a identidade de Tribeca não foi sempre clara. Enquanto Cannes mantém a postura de vitrine artística internacional, Sundance na defesa dos independentes americanos e Toronto como uma plataforma de lançamentos para os estúdios, Tribeca luta para definir como se posicionar em um lotado circuito de festivais.

Sua programação, que neste ano inclui 93 longas, tipicamente vem de todo lugar, incluindo documentários de conscientização social, filmes independentes com atores famosos e produções entrangeiras. O festival tende pelo populismo, com oferta de pequenos filmes de artes a produções esportivas.

Mas Tribeca pode ser definido menos por suas atrações do que por seu plano de negócios. "Eu gostaria que fossemos vistos por como somos inovadores para nossos realizadores e espectadores", diz a produtora Jane Rosenthal, uma das fundadoras do festival.

Nascido de uma tragédia, o modo operacional de Tribeca é de fluxo. Os últimos anos viram a industria de produção independente entrar em colapso e muitos distribuidores fecharem.

Tribeca, indiscutivelmente mais do que qualquer festival, procurou agressivamente preencher a lacuna. A empresa que produz o evento, a Tribeca Enterprises, lançou um braço distribuidor, a Tribeca Films. Focada em buscar filmes sem distribuição, a empresa os leva para o público, principalmente por video-on-demand e em plataformas digitais.

A parcela virtual do festival também foi concebida com uma esperança parecida de aumentar a visibilidade de filmes batalhadores.

Em 2011, a Tribeca Film está mais do que dobrando sua vasão para 26 filmes, incluindo acordos de distribuição para multi-plataformas de filmes como "The Bang Bang Club", a história real de um fotógrafo de guerra estrelada por Ryan Phillippe; e "Last Night", um drama sobre fidelidade com Keira Knightley e Sam Worthington.

O festival online também passou por inovações. Seis filmes estarão disponíveis na internet, mas apenas por 24 horas e para um numero limitado de "assentos". A ideia é para promover ainda mais alguns dos filmes do festival para uma pequena plateia virtual sem sacrificar as chances da produção de conseguir um distribuidor.

Outras atrações incluem a transmissão ininterrupta do tapete vermelho pela internet, e o aumento da comunicação entre os cineastas e o público. Os realizadores presentes no festival receberão um "kit para mídias sociais".

Isto mostra que depois de dez festivais, Tribeca ainda cresce suas raízes, com a meta de solidificar-se como um ponto fixo em Nova York e entre os festivais.

  • Divulgação

    Cena do documentário "Beats Rhymes & Life: The Travels of a Tribe Called Quest"

Se Tribeca vai conseguir ou não redefinir a natureza dos festivais de cinema não se sabe. Mas o resultado será atentamente observado por outras mostras, inclusive pelo prestigioso Festival de Nova York.

O sucesso dependerá muito dos filmes, como normalmente acontece. Este ano, algumas das opções intrigantes incluem o documentário de Alex Gibney sobre bodes expiatórios nos esportes ("Catching Hell"); o documentário de Michael Rapaport sobre a banda Tribe Called Quest ("Beats Rhymes & Life: The Travels of a Tribe Called Quest"), e o drama sobre uma professora substituta de Tony Kaye ("Detachement").

Mas os exemplos acima apenas arranham a superfície da diversidade. Há também um mockumentário norueguês ("Trollhunter"), um filme de Ruanda ("Grey Matter"), um faroeste chinês ("Let the Bullets Fly") e um novo olhar sobre Ozzy Osbourne ("God Bless Ozzy Osbourne").

A curiosidade é atiçada pela programação da décima edição do Festival de Tribeca. "O fato de termos conseguido chega ao décimo ano é ótimo", comemora De Niro.

Tradução: Edu Fernandes

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