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12/05/2005 - 13h25

Filme de Woody Allen é ovacionado na mostra oficial em Cannes

Por Oscar Peyrou
Cannes (França), 12 mai (EFE) - Dos três filmes projetados hoje, quinta-feira, na seção oficial do Festival de Cannes, o mais aplaudido foi um que não concorria à Palma de Ouro: "Match Point", de Woody Allen.

Os outros dois filmes participam da competição e foram o japonês "Bashing", de Masahiro Kobayashi e "Kilomètre Zéro", uma co-produção entre Curdistão e França dirigida por Hiner Saleem.

A fita de Woody Allen tem um tema clássico e defende o papel do acaso nas relações humanas. O protagonista da fita, um jovem treinador de tênis, resume perfeitamente o pensamento de Allen ao fazer a fita: "Em uma partida, a bola bate no alto da rede; durante um quarto de segundo,
pode cair para um ou outro lado. Com um pouco de sorte bate naquele que é melhor para você e você vence o jogo. Mas também pode cair do seu lado, e então você perde".

"Match Point" mostra também a metamorfose de um homem de origem humilde, seduzido pelo luxo e pelo poder. A transição de uma comédia que acaba em drama e depois volta à comédia é eficaz e a aparente salvação do protagonista se mostra efêmera.

Trata-se de uma fita sutil, mais profunda do que aparenta e com excelentes interpretações de Jonathan Rhys Meyers, Scarlett Johansson, Matthew Goode e Emily Mortimer.

O filme conta a história de um professor de tênis que conhece a irmã de um de seus alunos da alta sociedade inglesa e se apaixona por ela. A namorada de um de seus alunos, no entanto, começa a atraí-lo cada vez mais. Finalmente, começa um triângulo que previsivelmente acabará em tragédia.

Já o filme franco-curdo, "Kilomètre Zéro", é uma incursão superficial nos sentimentos de um homem obcecado por conseguir a liberdade de seu país, cheio de estereótipos e lugares comuns.

Saleem nasceu no Curdistão iraquiano em 1964 mas aos 17 anos escapou da repressão do presidente Saddam Hussein. Atualmente, vive em Paris. Este é seu quarto filme, após "Vive la mariée... et a liberation du Curdistan", de 1997; "Passeurs de reves", de 1999 e "Vodka Lemon", de 2003.

A narração começa em 1988, em plena guerra entre Irã e Iraque. Um jovem curdo sonha em fugir de seu país, embora sua mulher se negue enquanto o pai dela viver.

Levado a integrar o exército de Hussein contra sua vontade, o curdo quer o firam para poder abandonar a luta. Um dia, recebe a ordem de levar o caixão de um "mártir da pátria" a sua família.

Esta longa viagem pelas desoladas estradas do Iraque serve ao diretor para mostrar suas idéias sobre o passado e o futuro do Curdistão, região que em 1923 foi repartida pelo Tratado de Lausanne entre Turquia, Irã, Iraque e Síria. Um acordo prévio, de 1919 e assinado em Sevres, que reconhecia a existência e a unidade do país, nunca foi aplicado.

Finalmente, "Bashing" narra o calvário de uma refém japonesa no Iraque que, após sua libertação e sua volta a seu país, é rejeitada por seus vizinhos e amigos.

Trata-se de uma surpreendente parábola sobre a honra que mostra o profundo abismo que ainda separa Oriente e Ocidente sobre o plano moral e filosófico.

Franco-atirador do cinema japonês, Kobayashi - nascido em 1954 -, mostra um aspecto muito pouco favorecedor de seu país e de seus compatriotas neste polêmico filme que irritou vários de seus colegas.

É a quarta vez que o diretor japonês é convidado a Cannes. A primeira foi com "Bootleg Film", escolhido para a seção Um Certo Olhar em 1999; a segunda, em 2000, com "Koroshi", que se apresentou na Quinzena de Produtores, e a última, um ano depois, com "Aruku hito".

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