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11/07/2008 - 12h03

Venezuela investe milhões de dólares em cinema para "atacar" Hollywood

MÁRIO MARTÍN MATAS
Caracas, 11 jul (EFE).- O Governo venezuelano investiu nos últimos dois anos mais de US$ 40 milhões em produção cinematográfica, em uma tentativa de fazer competir com a poderosa indústria de Hollywood e recuperar assim a "soberania audiovisual".

"O objetivo é "diversificar, já que a cultura imperialista tem uma visão monopolista da distribuição", que faz com que Hollywood desembarque na Venezuela com 100 cópias de seus filmes para 300 salas que existem no país, explica Lorena Almarza, diretora da Villa del Cine.

"Durante anos, mais de 80% do cinema que se via na Venezuela vinha de Hollywood", acrescentou Almarza durante uma visita às instalações do centro dirigido por ela.

A Villa del Cine funciona há dois anos e é regida pelas premissas "luzes, câmara e revolução", e pelo pedido do presidente Hugo Chávez para enfrentar a "ditadura de Hollywood".

Para isso, diz Almarza, é necessário "mudar as referências culturais (...) para que os venezuelanos aprendam a amar seu cinema".

A diretora da Villa del Cine reconhece que "se trata de um processo a longo prazo".

Desde sua criação, o centro realizou 553 produções, entre longas-metragens, curtas e documentários, explicou Almarza, sem especificar o grau de difusão das mesmas tanto dentro como fora do país.

No entanto, destacou que nos últimos 24 meses os títulos venezuelanos presentes nas salas de cinema do país foram mais do que duplicados, passando de 11 para 25, mais da metade deles produzidos pelo organismo dirigido por ela.

A diretora não pôde oferecer dados sobre a bilheteria das produções venezuelanas, mas o disse que a primeira superprodução, "Miranda Regresa", foi vista por 200 mil pessoas.

A Villa del Cine, localizada nos arredores de Caracas, já foi visitada por vários atores americanos, como Sean Penn, Tim Robbins, Danny Glover e Kevin Spacey, que em geral elogiaram o trabalho que realizado no local.

A diretora afirmou que os atores americanos que visitaram a Villa o fizeram "por seu interesse pelo processo bolivariano".

Penn se interessou pela infra-estrutura e a quantidade de gente jovem que trabalha na Villa, Spacey afirmou que seria estupendo que em todo lugar do mundo houvesse uma Villa del Cine, e Robbins buscava cenários desérticos para sua próxima produção, relatou Almarza.

A relação com Glover vai além, já que o Governo alocou uma verba adicional de 38 milhões de bolívares (US$ 17,83 milhões) ao orçamento da Villa para a filmagem de um filme que será dirigido por esse ator sobre o líder independentista haitiano François-Dominique Toussaint (1743-1803).

Almarza explicou à Agência Efe que o financiamento do filme de Glover está de acordo com a intenção do Governo de "recuperar a memória histórica", e confirmou que as filmagens ainda não começaram, à espera da seleção dos atores protagonistas do ambicioso projeto.

O financiamento governamental ao filme de Glover foi muito criticado por associações de produtores e autores cinematográficos venezuelanos, que alegaram que a quantidade concedida ao ator americano equivaleria a tudo o que foi recebido pelos organismos cinematográficos não-governamentais do país em cinco anos.

Almarza assegurou que é "provável" que antes do final do ano cheguem ao país "outras duas visitas importantes", convocadas também por sua "consciência política".

A Villa produziu longas-metragens sobre líderes independentistas nacionais como Francisco de Miranda (1750-1816) e Ezequiel Zamora (1817-1860), além de documentários sobre a importância do petróleo e dos desaparecimentos por motivos sociais e políticos.

Tudo isso graças a um investimento de 90 milhões de bolívares (cerca de US$ 42 milhões), em instalações que contam com os últimos avanços tecnológicos, dois estúdios de filmagem de 420 metros quadrados, áreas administrativas e de pós-produção, e equipamentos de câmera, iluminação, áudio e vídeo.

"Percebemos que seria maravilhoso para nós que a cultura também fosse considerada uma área de investimento", diz Almarza, que explica que em virtude da Lei do Cinema aprovada em 2005 se conseguiu "garantir que nos espaços de exibição sempre haja produção venezuelana".

Almarza defende que na Villa del Cine também são produzidos títulos independentes, fruto de "concursos de idéias".

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