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24/02/2010 - 06h05

Novos talentos paquistaneses tentam rejuvenescer cinema de Lollywood

Igor G. Barbero Lahore (Paquistão), 24 fev (EFE).- Novos talentos paquistaneses lutam para rejuvenescer Lollywood, a indústria cinematográfica do Paquistão, cujas antigas glórias resistem ancoradas em um passado de esplendor que há décadas sucumbiu à eclosão da vizinha Bollywood.

No último fim de semana, jovens produtores, cineastas amadores e estudantes se reuniram em Lahore, capital cultural do Paquistão, para a quarta edição de um festival de curtas-metragens organizado na Universidade Lums, um centro privado considerados por alguns a "Harvard" paquistanesa.

Sob o título "Made in Pakistan", a estrela foi um documentário sobre a vida de quatro paquistaneses - um advogado, uma jornalista, um político e a relações-públicas de um desenhista - durante os meses convulsos que precederam e sucederam o assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto e as eleições legislativas de 2008.

"Há muitos estereótipos sobre o Paquistão, mas este país é mais diverso. É importante que haja filmes de entretenimento e documentários que sirvam de plataforma para transmitir essa mensagem", disse à Agência Efe o diretor do curta, Nasir Khan.

No festival, foram apresentadas obras que denotam um estilo mais contemporâneo, que se aproveita de modernas influências do cinema ocidental, domina melhor os aspectos técnicos e se desamarra do clássico melodrama de Lollywood.

Para o jovem cineasta Omar Khan, autor de um inovador filme de terror paquistanês ("Hell's Ground", 2007), é a única opção se a indústria do cinema paquistanês quiser florescer.

"A juventude atual odeia a indústria cinematográfica de Lollywood, não a consome, riem dela. Lollywood entrou em declive desde o dia em que se comercializaram as fitas de vídeo. Até a década de 1970, os filmes em urdu fizeram sucesso. O problema chegou quando vimos as primeiras produções indianas", explicou Khan.

"Concorrer com Bollywood é impossível. Não se pode sustentar algo que ninguém quer ver", raciocinou. Para ele, o objetivo deveria ser oferecer conteúdos alternativos.

A vários quilômetros da universidade Lums, nos estúdios de cinema de Lollywood, um casal de atores pashtuns se maquiam, retocam detalhes da indumentária e ensaiam seu papel em um ensaio. O diretor passa instruções e, em seguida, começa a ação.

Um passeio pelos cenários de pintura desgastada, as extensas avenidas vazias, os escritórios bagunçados com antiquados recursos e um centro de gravação, no qual poucos técnicos de som trabalham na adaptação de música, evidência de que Lollywood há tempo perdeu sua glória.

"Somos ainda cerca de mil trabalhadores. Não passamos fome e ainda temos esperança, mas isso está morto, é uma lástima. A indústria está em decadência desde os anos 80", explicou à Agência Efe Imtiaz Rana, assistente de direção com 40 anos de carreira.

Com um sorriso juvenil, Rana mostra fotos daqueles momentos em que Lollywood chegou a produzir até 50 filmes ao ano, nas línguas pashtun, panjabi e urdu, e seus atores eram autênticas estrelas em um país com mais de mil salas de cinema.

Por outro lado, hoje se produzem cerca de 15 filmes, em geral dramalhões, histórias de amor com muita música, violência e ação que nem sequer conseguem chegar aos 200 cinemas existentes no Paquistão, em cujas modernas multisalas se projetam superproduções de Bollywood e Hollywood.

"Os produtores seguem no ramo por amor à arte, mas sempre perdem dinheiro. Um filme com bom orçamento pode custar cerca de 10 milhões de rúpias (US$ 120 mil). O normal é que se recupere pouco mais da metade do investimento", relatou Rana. Ele opina que o Governo deveria ajudar a salvar a indústria.

O futuro se apresenta pouco otimista em um país onde os programas de televisão se desenvolveram vertiginosamente na última década e no qual se vende filmes piratas inclusive nas lojas especializadas.

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