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13/05/2011 - 18h48

Com filme sobre mortalidade, Gus Van Sant abre seção "Um Certo Olhar" de Cannes

  • Diretor Gus Van Sant (centro) posa para foto com os atores Henry Hopper e Mia Wasikowska, de Inquietos (13/05/2011)

    Diretor Gus Van Sant (centro) posa para foto com os atores Henry Hopper e Mia Wasikowska, de "Inquietos" (13/05/2011)

Mateo Sancho Cardiel.

CANNES, França - O cineasta americano Gus Van Sant, acostumado a transitar pelas linhas comercial e independente, volta ao cinema com "Inquietos", um romance que conta a história de um casal de jovens preocupados com a mortalidade, com o qual abriu a prestigiosa seção "Um Certo Olhar" em Cannes.

Após perder o avião e cancelar sua presença prevista para quinta-feira, o diretor compareceu nesta sexta à imprensa rodeado do elenco juvenil do longa, produzido também pela atriz Bryce Dallas Howard, protagonista de "A Vila".

Van Sant já ganhou a Palma de Ouro e o prêmio de melhor diretor, no Festival de Cannes, por "Elefante" (2003), e recebeu duas indicações ao Oscar de melhor diretor por "Gênio Indomável" (1997) e "Milk - A Voz da Igualdade" (2009).

"Com a história de Will Hunting, ("Gênio Indomável") foi a primeira vez que atuei em uma atmosfera mais 'mainstream', e descobri que podia olhar algo de um ponto de vista otimista. Suponho que haja uma parte de mim assim", explicou Van Sant.

Porém, essa história de superação não tinha sobre si o peso da morte, como pode ser visto em "Inquietos", filme em que o estreante Henry Hopper (filho do ator Dennis Hopper) e a atriz Mia Wasikowska, conhecida por ser a "Alice no País das Maravilhas", de Tim Burton, vivem uma história de amor, enquanto a jovem enfrenta o câncer.

"Quando um adolescente está enfrentando uma doença catastrófica, embora não necessariamente terminal, sente a necessidade do sentimento de negação do que realmente é", afirma.

O diretor do longa explica que "nestes casos, a família é muito superprotetora". Segundo ele, "a irmã de Annabel não quer brincar, nem falar de ideias existencialistas sobre passagem do tempo" e é por isso que recorre ao personagem de Enoch. "Uma pessoa mais próxima, mas não da família, pode se transformar em seu melhor amigo nessas circunstâncias", afirma.

O diretor aposta em um ambiente encantador, passado na cidade de Portland, e cria esses pequenos momentos de excentricidade mágica - os jovens se conhecem em um funeral -, ajudando a superar o estorvo de contar uma história mil vezes já vista na telona - como "Love Story - Uma História de Amor"(1970) e "Doce Novembro" (2001).

Trata-se de uma maneira de atingir a autenticidade da emoção e levar a plateia às lágrimas, ainda mais em um ambiente tão sério como o de Cannes. "Há no filme, inclusive, uma homenagem ao cinema francês", disse o cineasta, que 'pinta' Wasikowska como Jean Seberg e transforma Henry Hooper em um boêmio atemporal.

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