12/06/2011 - 16:52 - Atualizado em: 12/06/2011 - 16:52

Cinema comercial mexicano "estupidifica" a sociedade, diz cineasta

News-image

Fortaleza, 12 jun (EFE).- O cinema mexicano morreu na década de 1960 e posteriormente nasceu com uma fórmula comercial, baseada nos gêneros televisivos, que buscam "alienar e estupidificar" a sociedade, declarou neste domingo a diretora mexicana Iria Gómez Concheiro no Festival de Cinema Ibero-Americano, no Ceará

A diretora disse que atualmente está surgindo uma geração de cineastas jovens e o panorama atual tem a vantagem de eles "estarem fazendo coisas muito diferentes". Porém, ela criticou a falta de debate sobre o cinema, a ausência "de revistas sérias" e a falta "de formação de críticos".

Iria se mostrou "surpreendida com as apostas de cinema do Chile e da Colômbia", mas reiterou que chega ao México apenas filmes de outros países latino-americanos.

A diretora apresentou neste sábado em Fortaleza o longa "Asalto al Cine", premiado na seção "En Construcción" da última edição do Festival de San Sebastián.

Ela explicou que pretendia com esta obra retratar uma juventude mexicana que carece de oportunidades e de futuro e usou atores novatos no elenco que contracenaram com intérpretes consagrados do cinema nacional nos papéis secundários para reforçar a ideia de ataque ao sistema estabelecido.

"No momento em que um jovem acredita que seus sonhos não são realizáveis algo funciona mal e isso está acontecendo com o mexicanos", disse a diretora, que se mostrou muito crítica com o Governo do presidente Felipe Calderón e, em particular, com a luta contra o narcotráfico.

"No México está tão distorcida a ideia de política que passamos a ter alergia até para falar sobre esse tema", disse.

Iria disse que seu próximo projeto será rodado na Colômbia, país que, em sua opinião, compartilha com o México os "falsos positivos", conceito referido aos números de vítimas em operações contra a guerrilha que na realidade são pessoas alheias ao conflito.

"Na Colômbia chamam de falsos positivos, no México ainda não tem nome, mas deveria", assinalou a diretora, que não vê com bons olhos o futuro de seu país.