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01/06/2006 - 10h55

"O Amor em 5 Tempos" mostra momentos de uma relação

Por Kirk Honeycutt

TORONTO (Hollywood Reporter) - Quando o cineasta Jean-Luc Godard fez a célebre observação de que todos os filmes devem ter começo, meio e fim, mas não necessariamente nesta ordem, ele provavelmente não imaginou que, algumas gerações mais tarde, tantos diretores fossem dar ouvidos a sua opinião.

O caso mais recente disso é "O Amor em 5 Tempos", de François Ozon, que apresenta cinco cenas significativas na vida de um casal, em ordem inversa à cronológica -- começando pelo divórcio e chegando ao momento em que os dois se apaixonaram.

Vale dizer que o artifício garante apenas um vislumbre das razões que levaram à separação, não mais que isso.

"5 Tempos", que estréia na sexta-feira, é do mesmo diretor de "Oito Mulheres" e "Swimming Pool -- À Beira da Piscina".

O mais forte e mais curioso dos episódios do filme, escrito pelo próprio Ozon e por Emmanuele Berenheim, é o primeiro. Um juiz lê a sentença do divórcio para um casal parisiense melancólico, Gilles (Stephane Freiss) e Marion (Valerie Bruni-Tedeschi).

Depois de assinarem os papéis, eles vão a um quarto de hotel minimalista para um último encontro na cama. Por que qualquer um dos dois quer fazer isso -- aparentemente, a idéia foi de Gilles -- não chega a ser explicado. Depois, ele pergunta a Marion se ela quer tentar mais uma vez fazer a relação funcionar. Ela lhe dá as costas e sai de sua vida de uma vez por todas.

No próximo episódio, vemos o casal receber para um jantar o irmão gay de Gilles (Antoine Chappey) e seu namorado novo e muito mais jovem (Marc Ruchmann). Depois do jantar, Gilles é obrigado a recordar a vez em que traiu Marion diante dela, numa orgia.

Em seguida, no momento do parto prematuro do filho deles, Gilles, inexplicavelmente, se sente avesso à idéia de visitar sua mulher no hospital. Também conhecemos os pais de Marion (os atores veteranos Françoise Fabian e Michael Lonsdale), que não param de brigar.

Nas três primeiras cenas, Gilles aparece como uma pessoa tão desagradável que o espectador se pergunta por que Marion ficou tanto tempo com ele. Na penúltima cena -- o casamento, ou seja, o momento que deveria ter sido o mais feliz deles --, ficamos sabendo que Marion o traiu com um estranho, na mesma noite.

O episódio final mostra o casal se conhecendo num resort italiano, onde Marion chega sozinha e Gilles com sua então namorada (Geraldine Pailhas).

Assim, de uma traição de cada um foi de onde nasceu o casamento. Mas é claro que isso não explica o fracasso da relação.

Ozon diz que não procura apresentar uma explicação, o que é muito justo, mas o fato é que nenhuma das cenas fornece material para reflexão.

Apresentados em ordem cronológica ou o inverso dela, os episódios, embora não sejam maçantes, são mostrados sem preâmbulos ou explicações, com poucos insights sobre as dificuldades que acometem todos os relacionamentos amorosos.

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