22/06/2011 - 18:11 - Atualizado em: 23/06/2011 - 12:07

Deneuve satiriza sua imagem de estrela na comédia "Potiche - Esposa Troféu"

Divulgação News-image

Cena do filme "Potiche - Esposa Troféu"

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Em "Potiche - Esposa Troféu", o diretor francês François Ozon retoma, como em "8 Mulheres" (2002), um filme de gênero e de época. Assim, embaralha clichês de melodrama e comédia de boulevard, além de contar com um elenco estelar e afiado - Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Fabrice Luchini, Jérémie Renier e Karin Viard.

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A produção entra em cartaz em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis e Juiz de Fora.

Não se trata de um roteiro original e sim da adaptação (do próprio Ozon) de uma peça com o mesmo nome, de autoria de Pierre Barillet & Jean-Pierre Grédy, que aborda um formidável arsenal de temas relevantes, especialmente o sexismo, a hipocrisia de costumes e as semelhanças e diferenças entre direita e esquerda.

Deneuve interpreta uma rica burguesa, Suzanne Pujol, uma rainha do lar um tanto fútil e submissa que sai de sua rotina ao assumir a direção de sua empresa de guarda-chuvas, herdada de seu pai mas dirigida com mão de ferro por seu marido, Robert (Fabrice Luchini). A mudança de comando acontece no meio de uma greve, que provoca uma crise cardíaca no marido, logo depois de ser mantido refém pelos grevistas.

A reviravolta permite que "Potiche - Esposa Troféu" inclua uma série de comentários irônicos sobre a política. O fato é que, com o marido de escanteio, Suzanne desabrocha. Se suas primeiras intervenções nas reuniões com os funcionários parecem dar razão às costumeiras piadas sobre a inteligência das loiras, logo ela revela um inesperado instinto para renovar o clima de trabalho, inclusive em proveito próprio.

TRAILER DO FILME "POTICHE: ESPOSA TROFÉU"

Manifesta, assim, um talento gerencial que a encaminha em direção a uma carreira política - detalhe que encontrou eco no lançamento do filme na França, em 2010, três anos depois de uma disputada campanha eleitoral em que, pela primeira vez na história francesa, uma mulher, a socialista Segolène Royal, teve reais chances de vencer.

No ambiente familiar, também racha o esmalte da família perfeita, quando surgem evidências do velho caso mantido entre o Sr. Pujol e sua dedicada secretária, Nadège (Karin Viard) e também do passado nada pudico da própria madame Pujol - que esconde um antigo e tórrido caso com o prefeito comunista e sindicalista, Babin (Gérard Depardieu).

O clima farsesco é admiravelmente sustentado pelo design dos cenários e figurinos, temperados com um ar retrô calcado no colorido "estampadão" dos anos 70, época da história, e que foram idealizados por duas colaboradoras habituais do diretor Ozon, a diretora de arte Katia Wysztop e a figurinista Pascaline Chavanne.

O clima cômico ganha um reforço de peso com a deliciosa trilha sonora, que ressuscita alguns sucessos dos anos 70, como "Emmène-moi danser ce soir", com Michèle Torr, "More than a woman", dos Bee Gees (moldura de uma deliciosa cena à la "Embalos de Sábado à Noite", envolvendo Deneuve e Depardieu) e "C'est beau la vie", interpretada pela própria Deneuve.

Aliás, o que há de melhor aqui é a desenvoltura com que estes dois monstros sagrados do cinema francês se entregam à sátira de si próprios em benefício da história e do público.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb