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13/10/2011 - 17h18

Almodóvar está mais austero, "quase japonês", diz Banderas

Reuters

Por Iain Blair

LOS ANGELES (Reuters) - O galã Antonio Banderas estrelou grandes filmes de Hollywood, como "Shrek" e "Zorro", mas a parceria mais duradoura do ator espanhol é com o conterrâneo Pedro Almodóvar.

O diretor laureado pelo Oscar escalou Banderas em seu filme "Labirinto de Paixões", de 1982, e depois disso o ator estrelou "Matador", "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos" e "Ata-me", todos de Almodóvar.

No mais recente filme do diretor, "A Pele que Habito", que estreia em Los Angeles e em Nova York na sexta-feira, Banderas, de 51 anos, interpreta um cirurgião plástico amoral que resolve se vingar do jovem que estuprou sua filha.

Banderas falou recentemente à Reuters sobre o filme e sobre trabalhar com Almodóvar. Veja abaixo parte da entrevista:

P: Na superfície, "A Pele que Habito" é como uma ópera moderna louca - há sexo, assassinato, estupro, vingança e cirurgia plástica. Mas há também temas sérios na obra.

R: Sim, isso reflete o interesse de Pedro sobre a natureza da identidade. É sobre a criação e - no final - sobre a sobrevivência. É uma história claustrofóbica sobre esse médico que faz uma experiência muito perturbadora e o objeto de sua experiência é o ser humano. Ele te leva a um caminho muito, muito turbulento de emoções diferentes em um mundo e um universo que pertencem a um cara chamado Pedro Almodóvar, que é um gênero próprio.

P: Em geral você interpreta personagens bem-humorados e simpáticos, próximos à sua personalidade, mas neste filme você está frio como gelo. Foi um desafio?

R: Esse foi um dos principais comentários que surgiram nos ensaios com Pedro. Ele disse: 'Esqueça todos os personagens divertidos que você interpretou durante anos, mesmo os que você atuou para mim. Neste, começamos do zero. Quero que você seja praticamente sem alma, com indiferença total pela dor de qualquer pessoa. Você está interpretando um semi-deus, um criador'. O que basicamente o torna um monstro. Ao mesmo tempo, porém, ele é um artista."

P: Você começou com Pedro e trabalhou com ele em muitos dos filmes mais conhecidos dele. Mas desde 1990 e de "Ata-me" você não trabalhava com ele. O que aconteceu? Ele não queria mais te usar?

R: (Risos) Não, nada disso. Na verdade, ele me ligou duas vezes para fazer um filme com ele, mas eu tinha um contrato em Hollywood para filmar outros projetos e não podia sair deles. Mas sempre ficamos em contato e somos grandes amigos.

P: O Pedro mudou muito desde que você trabalhou da primeira vez com ele em 1982?

R: Sim, claro. Estamos mais velhos e ele amadureceu como diretor e como pessoa. Ele ficou mais austero - quase japonês. Ele se tornou mais profundo e mais complexo.

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