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Comic-Con 2014 também será lembrada por quem não deu as caras em San Diego

Roberto Sadovski

Do UOL, em São Paulo

27/07/2014 06h00

A Comic-Con teve momentos bombásticos e painéis mornos --é a natureza da fera. Até agora, Christopher Nolan pintou para falar de "Interestelar" com Matthew McConaughey. "Walking Dead" e "Game of Thrones" monopolizaram fãs, mostrando a força galopante da TV. Harry Potter mostrou os chifres. "Batman v. Superman" recuperou a fé com imagem dos dois gigantes se encarando em fúria (e apresentando a Mulher-Maravilha). "Os Vingadores: A Era de Ultron" ganhou a festa com o surgimento de um robô assassino e o Hulk saindo no braço com Tony Stark em uma armadura anabolizada.

Estranhamente, a festa que termina neste domingo (27) será lembrada por quem não deu as caras em San Diego. Alguns dos grandes filmes que chegam aos cinemas ano que vem --e que se beneficiariam de um boost da plateia agora global que acompanha a festa-- não deram as caras. Nada do quinto "Terminator". Nada do reboot de "Quarteto Fantástico". Nada de "Jurassic World". Nada de a Marvel solidificar sua conquista do mundo anunciando os filmes de sua fase três.

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O diretor Alan Taylor ("Game of Thrones", "Thor: O Mundo Sombrio") é o cérebro por trás do novo "Exterminador do Futuro", que promete uma revolução no cânone da série. Viagens no tempo promovem um encontro entre passado, presente e futuro, em um filme que promete mudar o modo de enxergar as produções anteriores --em especial os filmes dirigidos por James Cameron. Mas tudo é especulação e observação. Arnold Schwarzenegger está de volta como o ciborgue assassino, agora envelhecido, porque "tecido vivo envelhece mesmo cobrindo um exoesqueleto metálico".

De volta estão Sarah Connor, seu filho, John, e o pai do futuro líder revolucionário, Karl Reese. A idade da turma dá uma pista da confusão cronológica. Jason Clarke, 45, interpreta John, com Emilia Clarke (sem parentesco), 27, é Sarah, e Jai Courtney, 28, como Reese. Fãs da série ficaram de molho depois do irregular "O Exterminador do Futuro: A Salvação", de 2009, que ficou notório menos pro sua contribuição à saga e mais pelo piti de Christian Bale no set, transformado em viral. A Comic-Con seria o palco perfeito para mostrar cenas do novo filme, colocar Schwarzenegger em cena para recuperar seu status de astro, começar o oba oba. Mas a Paramount passou reto. Nada de "Terminator" em San Diego.

"Quarteto Fantástico" é um caso mais grave. Os fãs receberam a notícia do reboot promovido pela Fox com hostilidade desde o começo. Não que as duas aventuras da equipe no cinema, lançadas em 2005 e 2007, sejam reverenciadas: pelo contrário, são um grande exemplo de infantilização e desrespeito com o material original. Ainda assim, o novo filme nasceu com uma polêmica absurda e desnecessária.

O ator Michael B. Jordan ("Fruitvalle Station") foi escalado para o papel do Tocha Humana: o personagem, ao contrário do ator, é loiro de olhos azuis. Não ajudou as declarações da atriz Kate Mara, no papel de Susan Storm (irmã do Tocha Humana), dizendo que o filme não teria nenhuma relação com os gibis, e que eles sequer usariam uniformes! A Comic-Con seria o lugar ideal para apresentar um clipe do novo filme, trazer o elenco ao palco, dar espaço para o diretor Josh Trank ("Tudo Pelo Poder") defender sua visão e suas escolhas. Mas a Fox, apesar do longo painel, deixou o "Quarteto Fantástico" de lado. E os fãs, mais uma vez, ressabiados.

Nem a volta ao mundo dos dinossauros em "Jurassic World" ganhou carinho na Comic-Con. Fãs ganharam pôsteres, e Chris Pratt, protagonista do filme, é um popstar entre os entusiastas do evento por ser o protagonista de "Guardiões da Galáxia". Ainda assim, a Universal optou por não apresentar o novo mundo jurássico. O argumento oficial sempre é "ainda estamos filmando, não temos o que mostrar". O que é bobagem, já que filmes que sequer começaram a produção, como "Homem-Formiga", chegaram na Comic-Con com um aperitivo prontinho para consumo de fãs.

Às vezes é falta de confiança em seu próprio produto. Outras, receio em mostrar algum material inacabado que possa ser mal interpretado pelos fãs. E ainda existe um fator básico: alguns diretores simplesmente não querem se curvar ante a força pop da Comic-Con e preverem virar as costas ao evento. A verdade é que, filmes como os ausentes, deixam uma clara impressão de que algo está errado.

E conseguem até manchar uma apresentação brilhante: "Os Vingadores: A Era de Ultron" teve a recepção mais entusiasmada pelos quase 7.000 fãs que assistiram às primeiras imagens da abertura. Mas, logo depois, a Marvel deixou o buraco de seus filmes não anunciados e cravou apenas um óbvio "Guardiões da Galáxia 2" na agenda. Nada de "Doutor Estranho". Nada de novos membros de seu universo cinematográfico. Mesmo com a vitória, é difícil limpar o sabor amargo.