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Motivos para ver: 4 grandes filmes estreiam no Brasil e podem ir ao Oscar

Roberto Sadovski

Colaboração para o UOL, em São Paulo

12/01/2016 13h52

Quatro grandes filmes chegam na próxima quinta-feira (14) aos cinemas brasileiros: "A Grande Aposta", "Carol", "Creed - Nascido para Lutar" e "Steve Jobs", que estrearam em 2015 lá fora e foram bem recebidos, tanto pelo público quanto pela crítica.

As quatro produções foram indicadas ao Globo de Ouro 2016, que aconteceu no domingo, mas só dois levaram troféus para casa: "Creed", por melhor ator coadjuvante (Sylvester Stallone); e "Steve Jobs", por melhor atriz coadjuvante (Kate Winslet) e melhor roteiro. Agora, todos eles voltam a ter grandes chances de aparecerem nas indicações ao Oscar 2016 --o anúncio será feito pela Academia na manhã da próxima quinta-feira.

Para antecipar o anúncio do Oscar, Roberto Sadovski lista os motivos para correr atrás de um ingresso:

"A Grande Aposta" - Divulgação - Divulgação
Christian Bale em cena do filme "A Grande Aposta"
Imagem: Divulgação

"A GRANDE APOSTA" (Direção: Adam McKay)

O diretor de "O Âncora" mudou seu tom farsesco ao contar um pouco dos bastidores da crise econômica que assolou o mundo por volta de 2007 (a nossa "marolinha"). Cercado de um elenco de gigantes (Christian Bale, Ryan Goisling, Brad Pitt, Steve Carrell), McKay conta como poucos investidores, os "grandes pequenos" do título original, anteviram a crise e, com ela, lucraram bilhões.

Embora seja farto no "economês", o texto flui graças a explicações que quebram a quarta parede (Margot Robbie numa banheira falando com a plateia é a melhor) e a uma edição tão ágil e certeira que surge quase como mais um personagem. Mas o assunto não é, nem de longe, engraçado, e McKay mostra, com todas as letras, que não aprendemos com os erros ("marolinha", é bem isso). No fim, "A Grande Aposta" é espetacular, mas é difícil não sair da sessão nauseado.

"Carol" - Divulgação - Divulgação
A atriz Cate Blanchett em cena do filme "Carol"
Imagem: Divulgação

"CAROL" (Direção: Todd Haynes)

O livro de Patricia Highsmith, que aborda o romance lésbico entre uma dona de casa cheia da grana e uma garota descobrindo sua própria sexualidade, é adaptado com delicadeza e elegância pelo mesmo diretor de "Longe do Paraíso". Claro, "romance lésbico" é um modo fácil de se referir a uma história com tantas naunces, lágrimas, dor, descobertas, paixão e amor.

Some a isso performances de cair o queixo de Cate Blanchett (intensa como sempre; genial como nunca) e Rooney Mara (mais uma vez, uma revelação), e o resultado é um dos filmes mais belos do ano. E também um dos mais tristes.

"Creed" - Divulgação/Warner Bros. - Divulgação/Warner Bros.
Sylvester Stallone e Michael B. Jordan em cena de "Creed"
Imagem: Divulgação/Warner Bros.

"CREED: NASCIDO PARA LUTAR" (Direção: Ryan Coogler)

Esta continuação da série "Rocky" promove um dos momentos mais gratificantes no cinema. Quando assisti no ano passado, a plateia ajudou, aplaudindo como se estivesse em uma luta de verdade.

Emprestando muito da trama de "Rocky, Um Lutador" (o original), Creed é a história de um sujeito lutando contra todos --inclusive a si mesmo-- para abraçar quem ele realmente é. Michael B. Jordan dá um show, Sylvester Stallone reencontra o tom perfeito para voltar a seu personagem-assinatura, e a coisa toda se amarra em aplausos. Em pé. Pura perfeição!

"STEVE JOBS" (Direção: Danny Boyle)

Brilhante. É assim que se pode definir "Steve Jobs". A direção de Danny Boyle. O roteiro de Aaron Sorkin. Michael Fassbender. Kate Winslet. Não existe uma vírgula fora do lugar nesta biografia poderosa, que não condena nem santifica o homem por trás da Apple --e, por que não, por trás do impulso que nos fez melhores no século 21.

Em três atos, concentrados nos bastidores de três de seus grandes lançamentos (o Macintosh, o Next e o iMac), Boyle e Sorkin dissecam, sem julgamentos, o que movia Jobs. A pergunta que o filme levanta é: em que se torna um homem que deixa de lado sua vida para reinventar a roda, e não apenas uma vez?