Cinema

"Foi como um namoro antigo que vingou", diz Karim Aïnouz sobre dirigir Wagner Moura

Divulgação
Da esq. para a dir., Jesuita Barbosa, Karim Aïnouz, Wagner Moura e Clemens Schick, equipe do filme "Praia do Futuro", em Berlim imagem: Divulgação

Ana Okada e Natalia Engler

Do UOL, em São Paulo

Depois de quatro anos trabalhando no roteiro, dois anos escolhendo o elenco e dois meses de ensaio, o cineasta cearense Karim Aïnouz (“O Céu de Suely”) finalmente começa a rodar seu novo projeto, “Praia do Futuro”, no dia 27 de fevereiro.

Com Wagner Moura (“O Homem do Futuro”) como protagonista, a coprodução entre Brasil e Alemanha terá cinco semanas de filmagens em Berlim e depois será finalizada na praia cearense que lhe empresta o nome.

Karim quer fazer um filme que seja visto pelo maior número possível de espectadores e eu estou fechado com ele nisso.

Wagner Moura sobre "Praia do Futuro"


“O início de filmagem é sempre um pouco aflitivo, porque tem que estar tudo pronto. É um momento que você fica muito apreensivo, mas a gente está preparando isso há muito tempo, então estou com vontade de filmar”, contou o cineasta, que já está em Berlim e conversou com o UOL por telefone.

A trama do longa acompanha os irmãos Donato (Wagner Moura), um salva-vidas que trabalha na praia do Futuro, em Fortaleza, e Ayrton (o estreante Jesuita Barbosa), apaixonado por motos e admirador da coragem do irmão.

“O filme começa com a história de um garoto que tem um irmão mais velho que é seu grande herói, e ele vai embora. Fala de abandono e de pessoas que você imagina que são super-heróis e depois vê que são humanas. O filme também fala de uma maneira muito íntima de uma coisa que se passou em Berlim: a cidade ficou dividida por muitos anos e se unificou com a queda do muro”, explica Karim.

Esse filme vem muito da vontade de ter protagonistas homens.

Karim Aïnoux sobre "Praia do Futuro"


Wagner Moura, que também já está em Berlim e respondeu às perguntas do UOL por e-mail, define “Praia do Futuro” como  “uma história de amor e coragem envolvendo dois irmãos”. “Meu personagem é um cara que sai do conforto de sua posição, de seu lugar para tentar se reinventar em outro canto. Um herói torto que foi buscar o anonimato para se sentir humano”, conta o ator. “Karim quer fazer um filme que seja visto pelo maior número possível de espectadores e eu estou fechado com ele nisso. Essa é a história de três homens que hora abdicam, hora buscam, hora descobrem seus superpoderes, para se encontrarem como seres humanos”.
 
Karim, que já explorou o universo feminino em produções como “O Céu de Suely”, a série “Alice”, da HBO, e o inédito “Abismo Prateado”, conta que não é um especialista em contar histórias de mulheres e que quis fazer um filme masculino com “Praia do Futuro”. “Quero contar a história de pessoas, e esse filme vem muito da vontade de ter protagonistas homens. É um filme sobre pessoas que se arriscam, que saem em viagem. O filme tem muita vontade de ter esse tom. É um filme de aventura mesmo, e eu fui criado com eles, vendo na televisão, na sessão da tarde...”.

Namoro antigo

Eu faria qualquer coisa que ele quisesse, mas quando li o roteiro fiquei mais doido ainda.

Wagner Moura

Apesar de Wagner já ter feito dois filmes que tinham roteiros assinados por Karim --“Abril Despedaçado” (2001) e “Cidade Baixa” (2005)--, “Praia do Futuro” é a primeira produção em que é dirigido pelo cineasta cearense.

“Eu sempre quis ser dirigido por ele. Nós estávamos trocando e-mails a esse respeito quando eu o encontrei ano passado em Berlim e o projeto do ‘Praia do Futuro’ veio à tona. Eu faria qualquer coisa que ele quisesse, mas quando li o roteiro fiquei mais doido ainda. Karim é um artista incrível, é um privilégio estar aqui com ele. Tenho tentado decifrá-lo, aproveitá-lo, aprender a jogar com ele e, em algum momento, se tudo der certo, surpreendê-lo”, diz Wagner.  

Karim também estava ansioso para trabalhar com o ator desde que o conheceu, nas filmagens de “Abril Despedaçado”. “Esse foi um filme em que ficamos refazendo o roteiro antes das filmagens no set, foi um dos primeiros filmes do Wagner. Me lembro muito dele, fiquei muito impactado. Ele era um menino. Ficamos em contato --em ‘Madame Satã quase o chamei para um papel, mas acabei não convidando. Os anos foram passando e essa vontade ficou muito forte. Foi um pouco como um namoro antigo que vingou”, conta o diretor.

['Abril Despedaçado'] foi um dos primeiros filmes do Wagner. Me lembro muito dele, fiquei muito impactado. Ele era um menino.

Karim Aïnouz, que trabalhou pela primeira vez com Wagner Moura em "Abril Despedaçado", em que assinava o roteiro


Elenco estrangeiro
O elenco internacional de “Praia do Futuro” também conta com o ator alemão Clemens Schick ("007 - Cassino Royale"), a suíça Sabine Timoteo e a alemã Sophie Charlotte Conrad, mas o desafio de trabalhar com atores estrangeiros não parece ter assustado Karim.

“Mais do que o elenco estrangeiro, [o desafio] é colocar todos na mesma sintonia. Outra questão é a da língua --é um filme falado em português e alemão. Interpretar na sua língua é uma coisa, e numa que você não fala direito, é um outro trabalho. No entanto, quando se tem clareza do personagem, não diria que foi fácil, mas deu para fazer. Mas no cinema tem uma coisa de intuição, você sabe quando o ator está sentindo de verdade. E conseguir isso é 90% do ofício do diretor: olhar o ator e acreditar no que ele está fazendo, e se não está, dirigir ele para que siga na direção, isso é um desafio, e isso vai além da língua”, afirma.

Próximos projetos
Antes de terminar “Praia do Futuro”, Karim lança “Abismo Prateado”, protagonizado por Alessandra Negrini, que chega aos cinemas em abril. Outros projetos do cineasta são “The Beauty of Sharks”, uma produção norte-americana que o cineasta deve começar a filmar entre 2013 e 2014 e se passa na década de 1950, na Riviera, Francesa; um filme sobre pornochanchadas, que conta a história de amor entre uma censora e uma estrela do cinema nos anos 1970; a história de uma menina que vai trabalhar no Japão e volta para o Brasil quando o país entra em crise econômica; e uma adaptação do livro “O Filho da Mãe", de Bernardo carvalho, que se passa na Rússia.

Já Wagner vai protagonizar “Serra Pelada”, projeto de Heitor Dhalia (“À Deriva”) que conta a história de dois amigos que saem do Rio de Janeiro no final dos anos 1970 com o sonho de encontrar ouro no garimpo localizado no Pará.

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