Filmes e séries

Renovado, Superman volta com fúria no filme "O Homem de Aço"

Roberto Sadovski

Colunista do UOL

No clímax de "O Homem de Aço", reinvenção cinematográfica do herói pelas mãos de Zack Snyder, David Goyer e Christopher Nolan, Superman enfrenta o General Zod em uma batalha de superseres jamais vista no cinema. Em outras palavras: o número de corpos nos destroços é imenso, a destruição é quase interminável. Imagine o clímax de "Os Vingadores" turbinado por um Michael Bay em escala maior do que no terceiro "Transformers". É alto, barulhento, supersônico, muitas vezes nem dá para ver o que acontece. E é sensacional!

Afinal, este não é o Superman a que estamos acostumados. Não é Christopher Reeve, nem Bryan Singer, muito menos o dos Novos 52 nas HQs. E nem deve ser mesmo. Com 75 anos de história, o Último Filho de Krypton é ideal para ser reinventado e, principalmente reinterpretado. O trabalho de Snyder, escolhido para dirigir a aventura depois de criar universos ultra estilizados em "300", "Watchmen" e "Sucker Punch", é traçar um novo caminho para o herói, mostrando um mundo de consequências severas que abale o que seus pais (Jor-El e Jonathan Kent) lhe disseram: que ele é capaz de salvar a todos, e que o homem que ele escolher se tornar vai mudar o mundo.

O ponto em "O Homem de Aço" é justamente a criação de um mundo. Aqui o Superman, que tem sua origem recontada com um ou outro twist, surge pela primeira vez para o resto do planeta. Mas não é uma decisão fácil. Criado pelo casal Jonathan (Kevin Costner) e Martha (Diane Lane) Kent, ele é alguém que nunca se permitiu descobrir seu potencial.

TRAILER LEGENDADO DO "O HOMEM DO AÇO"

É assim que o jovem Clark Kent é criado, sempre mantendo-se sob absoluto controle. Jonathan acredita que o mundo não está pronto para alguém como Clark -- e as evidências apontam que ele pode estar absolutamente certo. Clark Kent cresce não só sem saber quem é ou de onde veio, mas também emasculado, seu direito de nascença sublimado pela preocupação de um pai bondoso. Em algum momento, a gente sabe, a bomba explode.

E as sementes são plantadas ainda em Krypton. Longe do design do filme que Richard Donner dirigiu em 1978, o planeta natal do heroi aparece aqui como um mundo majestoso, mas quebrado. Dividido em castas, cada habitante de Krypton nasceu em uma encubadeira especial, seu código genetico – e seu destino –determinados antes do nascimento.

Mas Jor-El (Russell Crowe), seu pai natural, quer algo diferente para seu filho que está para nascer: uma vida de escolhas, o primeiro parto “à moda antiga” em um milênio. Isso não cai bem para o General Zod (Michael Shannon), determinado a manter a linhagem de seu planeta intacta e disposto a matar se for preciso para Jor-El não interferir no estado das coisas. Exilado com seus aliados, Zod está longe de Krypton quando, segue a história, o planeta explode – e o pequeno Kal-El vem parar na Terra.

O Homem de Aço é meticuloso em construir a herança do herói e oportuno ao revelá-la, o que causa a libertação de Zod e cia., uma visita à Terra e a revelação de seu protetor -- mesmo que Clark Kent, um fantasma que vaga pelo mundo sempre ajudando a quem necessita, seja o alvo de uma investigação pela reporter Lois Lane (Amy Adams). Snyder, que faz aqui seu filme mais “naturalista”, dá tempo para cada elemento respirar, mas engata uma segunda quando é hora de o Superman abraçar sua herança e lutar por seu novo lar.

TRAILER ALTERNATIVO DE "O HOMEM DO AÇO"

O filme peca pelo desenvolvimento apressado de alguns personagens-chave em detrimento de outros -- Perry White (Laurence Fishburne), editor-chefe do Planeta Diário, assim como outros empregados do jornal, não passam de bucha de canhão em um combate cósmico, e o tempo gasto neles poderia ser limado sem maiores consequencias. A trama de fazer da Terra um novo Krypton também ecoa inclusive o malfadado polano de Lex Luthor em erguer um novo continente no meio do Atlântico em "Superman – O Retorno".

CONHEÇA BRASILEIRO QUE CRIOU
EFEITOS ESPECIAIS PARA O FILME

  • Divulgação / Disney

Mas isso não arranha um filme plasticamente deslumbrante e estrategicamente importante para o futuro do Superman -- e de outros heróis da DC -- no cinema. Não que isso faça diferença quando estamos de olho em uma única produção, mas é bacana ver o mundo nu de pessoas super poderosas testemunhando o nascimento de uma nova era, sem saber que ele é o primeiro de muitos.

Snyder também acerta no tom: longe de ser sombrio e “realista” como a trilogia "O Cavaleiro das Trevas" de Nolan, "O Homem de Aço" não economiza na atmosfera soturna mas deixa claro que o Superman é um símbolo de esperança -- o que é explicitado de forma nada sutil quando o próprio revela o significado do emplema em seu peito.

Ah, é verdade, Henry Cavill! Para ser honesto, difícil alguém substituir Christopher Reeve -- por isso que foi bom ver o ator britânico nem tentar! Em sua interpretação, Clark Kent, Kal-El e Superman são a mesma pessoa. Pensar em identidades secretas é coisa para o futuro. Assim ele fica livre para criar um herói único, dividido entre duas heranças e duas forças: a que de um lado o faz se conter, e a que do outro lhe diz para usar todos os seus poderes em público e em prol do bem maior.

O rastro de destruição deixado em sua batalha com Zod -- e as vidas perdidas – certamente fazem parte da formação de seu caráter e também vão afetar suas decisões no futuro. O que, de cara, já faz do Superman em O Homem de Aço uma interpretação única e muito interessante. Como a última cena deixa claro, agora que a origem ficou para trás, é hora de explorar as possibilidades de um novo mundo, um mundo que, nas mãos de Zack Snyder, se mostra explosivo, furioso e, por que não, espetacular.

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