Filmes e séries

FBI acusa Coreia do Norte de envolvimento em ataque hacker à Sony

Do UOL, em São Paulo*

19/12/2014 15h57

O FBI, órgão federal de investigação dos Estados Unidos, anunciou nesta sexta-feira (19) que a Coreia do Norte foi responsável pelo ataque hacker à Sony Pictures.

"Como resultado da nossa investigação e em colaboração com outros departamentos e agências do governo, o FBI agora tem informações suficientes para concluir que o governo da Coreia do Norte é responsável por essas ações", disse a agência em comunicado. "Estes atos de intimidação são um comportamento inaceitável de um Estado", acrescentou o texto.

Segundo o FBI, a conclusão se baseia em análise técnica do malware usado no ataque, que tem ligação com o programa usado por agentes coreanos em outras ocasiões. Além disso, também foram identificadas coincidências entre a infraestrutura usada no ataque e outras ações cibernéticas maliciosas que o governo americano atribui diretamente à Coreia do Norte.

O presidente norte-americano Barack Obama deve abordar o assunto em uma entrevista coletiva ainda nesta sexta, onde espera-se que ele anuncie que ações seu governo vai tomar em resposta ao ataque.

Ainda de acordo com o comunicado, o FBI vai "identificar, perseguir e fazer pagar os custos e as consequências aos indivíduos, grupos ou nações que usem meios cibernéticos para ameaçar os Estados Unidos ou seus interesses".

O que é o #SonyLeaks?

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"A Entrevista"

Com o anúncio do envolvimento da Coreia do Norte no ataque, fica claro que a principal motivação foi a comédia "A Entrevista", em que James Franco e Seth Rogen interpretam dois jornalistas recrutados pela CIA para exterminar o líder norte-coreano Kim Jong Un.

O filme gerou críticas do governo norte-coreano desde seu anúncio, e sua estreia foi cancelada na última quarta-feira, após ameaças de ataques terroristas aos cinemas que exibissem o longa. “A Sony Pictures não tem planos futuros de lançamento para o filme”, disse o porta-voz do estúdio.

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A estreia da comédia também está cancelada “até segunda ordem” no Brasil, de acordo com a assessoria de imprensa da Sony no país. O filme estava programado para estrear em circuito nacional no dia 29 de janeiro.

Anteriormente, a Sony estudava lançar “A Entrevista” online, sob demanda. No entanto, de acordo com a “Variety”, o filme não deve ser lançado nem em DVD, em uma decisão sem precedentes na história de Hollywood. Segundo o site especializado “The Wrap”, o prejuízo do estúdio pode chegar a US$ 90 milhões (cerca de R$ 230 milhões).

Desde o dia 24 de novembro, o Guardians of Peace vem divulgando centenas de dados sigilosos do estúdio, como documentos de folhas de pagamentos, endereços e e-mails constrangedores trocados entre executivos.

Nesta sexta, depois do anúncio do cancelamento da estreia, os hackers fizeram novas ameaças, exigindo que o filme jamais seja "lançado, distribuído ou vazado em qualquer formato como, por exemplo, DVD ou pirataria".

Por conta do caso, a Fox divulgou também que não irá lançar em março, como previsto, o longa "Pyongyang", do diretor Gore Verbinski, estrelado por Steve Carell. Baseado na graphic novel de Guy Delisle, o suspense retrata experiências de um ocidental que trabalha na Coreia do Norte por um ano.

Em entrevista coletiva nesta quinta, o secretário de imprensa da presidência americana Josh Earnest disse que o ataque à Sony é considerado "uma séria questão de segurança nacional" e que o governo está considerando uma série de respostas possíveis para quando as investigações do FBI e do Departamento de Justiça forem concluídas. Earnest também teve o cuidado de não afirmar que a Casa Branca acredita no envolvimento da Coreia do Norte.

Críticas de Hollywood
O cancelamento sem precedentes fez com que chovesse reações negativas em Hollywood. O empresário Donald Trump, o ator Steve Carrell e até o roteirista e diretor de comédias Judd Apatow, amigo de Seth Rogen e James Franco, se posicionaram contra o cancelamento.

Um dos mais enfáticos a entrar na discussão foi o ator George Clooney, que deu declarações duras sobre o assunto. "A Sony não lançou o filme porque eles estavam com medo. Eles seguraram o lançamento porque todas as redes de cinema disseram que não vão exibi-lo. Elas falaram com seus advogados, que disseram que se alguém morresse, eles seriam os responsáveis", disse o ator em entrevista exclusiva ao site Deadline.

O ator ainda contou que nenhum executivo de Hollywood quis assinar a petição que ele e seu agente Bryan Lourd lançaram solicitando que a indústria "ficasse unida" para não ceder às ameaças dos hackers. "Eu não vou dar nomes aqui, mas ninguém quis assinar a carta".

Já o roteirista Aaron Sorkin, vencedor do Oscar por “A Rede Social”, disse que “os desejos dos terroristas foram cumpridos”, parte pela imprensa americana que escolheu publicar “fofocas movidas pela desgraça alheia”.

Até o escritor brasileiro Paulo Coelho se manifestou, oferecendo US$ 100 mil à Sony para distribuir o filme gratuitamente em seu blog.

* Com agências internacionais

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