Cinema

"Evereste" reconta história real recheada de erros, polêmica e tragédia

Felipe Blumen

Do UOL, em São Paulo

Tempestade de neve, frio, desespero, dramas familiares, mortes, tragédia. Poderia ser apenas mais um filme de desastre, recheado de efeitos especiais, cenas de ação e um norte-americano salvando o mundo no fim do dia, mas “Evereste”, que chegou aos cinemas brasileiros nesta quinta (24) conta uma história real.

O filme narra os acontecimentos dos dias 10 e 11 de maio de 1996, quando dois grupos de alpinistas fizeram uma excursão ao topo do Monte Everest, o pico mais alto do mundo, com 8.848 metros de altitude.

Naquela tarde, uma forte nevasca fez com que oito pessoas, entre guias, auxiliares e esportistas de maior ou menor experiência, morressem na tentativa de alcançar o topo da montanha, que fica na Cordilheira do Himalaia, na fronteira entre a China e o Nepal.

Aventura mortal

Encarado como um dos desafios mais perigosos do mundo, a escalada ao topo do Monte Everest é realizada apenas em algumas semanas durante o ano, na chamada “temporada de escalada”. Mesmo assim, os que se propõem a subir devem respeitar regras rígidas, como a de não demorar a voltar – mesmo que isso signifique não conseguir atingir o topo.

Vertiginoso, "Evereste" recria história real de tragédia de alpinistas

A tragédia de 1996 é justificada por especialistas como o resultado de um conjunto de erros que teria causado um grande atraso para que os alpinistas daquele dia chegassem ao topo. Surpreendidos por uma nevasca já durante a descida, a maior parte deles ficou presa em meio a ventos de 130 km/h e uma temperatura de -51° C. A maioria morreu congelada.

As vítimas eram de duas expedições comerciais, formadas cada uma por um líder, dois guias e oito clientes. O duelo pessoal e profissional entre os dois líderes, Rob Hall, da Adventure Consultants (Interpretado por Jason Clarke) e Scott Fischer, da Mountain Madness (Jake Gyllenhaal), é apontado como uma das causas da tragédia, já que nenhum deles teria interesse em desistir e cancelar a subida. Ambos morreram.

A equipe de Hall foi a mais afetada. Nela estava o carteiro Doug Hansen (John Hawkes), o último a chegar ao topo, que queria provar que um homem comum conseguiria completar a tarefa, mas depois teve que ser resgatado primeiro por Hall e depois pelo guia Andy Harris (Martin Henderson). Nenhum deles sobreviveu.

O filme ainda mostra o resgate de Beck Weathers (Josh Brolin), que chegou a ser dado como morto e reviveu em meio ao gelo, ao contrário da japonesa Yasuko Namba (Naoko Mori), que, apesar de uma alpinista tão experiente quanto ele, não resistiu.

 

Krakauer x Boukreev

No livro “No Ar Rarefeito”, o jornalista Jon Krakauer, um dos sobreviventes da expedição Adventure Consultants, narra as semanas que antecederam e que sucederam a tragédia, além de dar detalhes dos próprios acontecimentos dos dias 10 e 11 de maio.

Adotando uma postura crítica ao mercado do alpinismo, o autor mostra como a influência do dinheiro –alguns dos clientes gastaram até 70 mil dólares para estar ali– pode ter feito com que a possibilidade de cancelamento da expedição fosse descartada, com consequências trágicas.

Krakauer também escolhe um vilão ao destacar o papel do guia russo Anatoli Boukreev, da Mountain Madness, na tragédia. Para ele, Boukreev errou ao ir para a expedição sem as roupas adequadas e sem tanques de oxigênio, o que teria feito com que ele fosse obrigado a voltar rapidamente para o acampamento, deixando os clientes sozinhos.

Como resposta às acusações, o russo escreveu seu próprio livro, chamado “A Escalada”, contando sua versão dos fatos. Na obra, defende que foi sua volta rápida ao acampamento que permitiu que ele descansasse para ajudar nos resgates. Boukreev foi o responsável direto pelo resgate de três clientes de sua expedição.

Para ver e ler

Além de “No Ar Rarefeito” e de “A Escalada”, a história do desastre também foi republicada recentemente no livro “Deixado Para Morrer”, que traz o relato de Beck Weathers, o cliente da expedição Adventure Consultants que foi dado como morto antes de ser resgatado no dia 11.

“Evereste”, que chega agora aos cinemas tem também a companhia de um documentário lançado em 1998, com o mesmo nome, que aborda o desastre de 1996. Dirigido pelos norte-americanos Greg MacGillivray e David Breashears, ele estava sendo filmado na época dos acontecimentos e traz imagens do resgate dos sobreviventes. A cena famosa da escada usada como ponte é mostrada em sua versão original.

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