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Academia do Oscar muda regras após casos de assédio de Harvey Weinstein

O produtor Harvey Weinstein - Al Powers/Invision/AP
O produtor Harvey Weinstein Imagem: Al Powers/Invision/AP

Do UOL, em São Paulo

27/10/2017 11h32

O alto escalão da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas vão tomar algumas providências após os casos de abuso sexual e estupro que caíram contra o magnata Harvey Weinstein. A CEO do Oscar, Dawn Hudson, apresentou os novos códigos de conduta para os membros da organização em comunicado divulgado nesta sexta-feira (27).

"Assim como você, o Conselho dos Governadores [grupo responsável por coordenar e planejar a visão estratégica da Academia] está preocupado sobre assédio sexual e comportamento predatório no local de trabalho, especialmente na nossa indústria. Acreditamos que a nossa Academia tem a obrigação de trazer uma atmosfera respeitosa e segura para os profissionais que fazem filmes", ela disse.

"Até agora, estamos tomando cuidados para estabelecer um código de conduta aos nossos membros, o que irá incluir política para avaliar as alegadas violações e determinar se a ação em relação à adesão [na Academia] é justificada ", completou.

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No dia 14 de outubro, os 54 membros do conselho decidiram expulsar Weinstein, nove dias depois do "The New York Times" revelar alegações de assédio sexual contra o produtor. Weinsein foi o apenas o segundo integrante do Conselho dos Governadores a ser expulso. O primeiro foi o ator Carmine Caridi, de "O Poderoso Chefão II", que foi acusado de emprestar filmes vencedores do Oscar para o mercado de pirataria.

"Estamos consultando especialistas em leis e ética para ter um melhor entendimento do que mais podemos e deveríamos fazer. Apesar de não termos a intenção de funcionar como um corpo investigativo, temos o direito e obrigação como uma associação voluntária de manter padrões limpos de conduta em ambiente de trabalho para aqueles que aceitamos como membros", acrescentou Dawn Hudson.

    Segredo de Hollywood

    No início de outubro, uma reportagem publicada pelo "The New York Times" revelou que Harvey Weinstein assediou mulheres durante décadas. Dias depois, a revista "New Yorker" publicou sua própria reportagem sobre o tema -- dessa vez, com acusações de estupro.

    Com o passar dos dias, o número de denúncias explodiu. Nomes de peso da indústria, como Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Mira Sorvino e Rosanna Arquette também acusaram o produtor. Weinstein, que ao lado do irmão Bob construiu uma fábrica de sucessos de bilheteria, com 80 premiações do Oscar e mais de 300 indicações, deixou o seu cargo na empresa que fundou e foi expulso do Sindicato dos Produtores e da Academia.

    A repercussão do caso fez com que várias outras famosas relatassem suas experiências: Reese Whiterspoon, por exemplo, contou que foi abusada por um diretor quando tinha apenas 16 anos, e Jennifer Lawrence revelou que foi colocada nua em uma fila com outras atrizes e chamada de "comível" por um produtor.

    No último domingo, 38 mulheres denunciaram o cineasta James Toback, indicado ao Oscar pelo filme "Bugsy", em uma reportagem do jornal "Los Angeles Times".