UOL Entretenimento Cinema

Ficha completa do filme

Drama

César e Cleópatra (1945)

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Especial para o UOL Cinema
Nota: 2
César e Cleópatra

Apesar de sua crítica social sempre atual e seus diálogos afiados, o dramaturgo irlandês Bernard Shaw (1856-1950) foi pouco adaptado para o cinema porque exigia que não houvesse mudanças, fosse tudo filmado ao pé da letra (sendo a exceção célebre "My Fair Lady" com Audrey Hepburn, adaptação de sua peça "Pigmalião").

Mas na década de 30, o diretor e produtor Gabriel Pascal (1894-1954) acalentou o projeto de filmar as mais importantes obras de Shaw com o autor ainda vivo, iniciando o projeto com "Pigmalião" ("Pygmalion", 1938), com Leslie Howard. Mais tarde, junto com o produtor J. Arthur Rank, realizou essa espetacular versão de uma das peças mais festejadas do dramaturgo, que acabou sendo um dos filmes mais caros da história do cinema britânico. Em grande parte devido às extravagâncias e a lentidão do diretor, cuja carreira foi praticamente encerrada quando o filme se revelou um tremendo fracasso comercial.

A riqueza da produção não fica tão evidente na tela, onde o filme parece teatral, estático e artificial, bem distante do realismo dos épicos americanos. Mas o texto brilhante e o conjunto de grandes atuações tornam o filme uma curiosidade. Vivien Leigh (1913-67) era grande admiradora de Shaw e sempre sonhou com o papel, que interpretou com sua habitual maestria, numa composição complexa que envolve ingenuidade, força reprimida e erotismo.

E que tem ressonância no César de Claude Rains (1889-1967), cínico e calejado pelas conquistas e que vê o poder como uma forma de brincar com as pessoas. O elenco de apoio de luxo, todos com boas oportunidades, inclui Flora Robson, Stewart Granger e, em pequenos papéis e figuração, os novatos Michael Rennie ("O Dia em que a Terra Parou"), Jean Simmons e Kay Kendall.

Enfim, vai agradar mais a quem gosta de teatro e do sarcasmo e iconoclastia de Shaw. Que, por sinal, não gostou do filme, em especial de Vivien, em cuja atuação ele não viu o humor que havia injetado na personagem. A cópia é apenas razoável mas não chega a atrapalhar. A capinha grafa erradamente o nome do diretor como Pasca e de Vivien como Vivian.

Compartilhe:

    Siga UOL Cinema

    Sites e Revistas

    Arquivo