Foi uma besteira dublar para português este filme que também fracassou nos EUA. Trata-se de uma fita de animação (à moda antiga, quadro a quadro, o chamado "stop motion", não por computador - embora haja ocasional uso do CGI, Computer Generated Images), realizada pelo mesmo e prestigioso Henry Selick, de "O Estranho Mundo de Jack" (de seu descobridor Tim Burton) e "James e o Pêssego Gigante".
Mistura atores a personagens de animação, figuras bizarras, fora do comum, que parecem realmente personagens de pesadelo e fantasia. Este é um filme que parece destinado a ser "cult", para ser descoberto pelos fãs de histórias em quadrinhos, "novelas gráficas" e humor negro.
Outro problema sério: o título em inglês, sem referências anteriores (Monkeybone é o nome de um personagem de quadrinhos e desenho animado criado por um cartunista, um pequeno macaco matreiro), há um ligeiro duplo sentido na concepção do personagem, visível no desenho animado sobre ele que abre a fita, como se ele representasse de certa forma o órgão sexual masculino.
Pouco comercial, Sellick se baseou numa novela gráfica de 1995, "Dark Town", de Kaja Blackley e Vanessa Chong, adaptadapor Sam Hamm ("Batman"), que realmente é muito "dark". Se o filme parece um pouco complicado quando o resumimos, é bastante fácil de ver, desde que se acostume com o humor negro.
Ganha força na parte final, quando o espirito de Stu consegue voltar apenas por uma hora e no corpo já em decomposição de um ex-atleta olímpico cujos órgãos estão sendo retirados para doação. E que, além de tudo, tem o pescoço quebrado (uma grande interpretação humorística do comediante do "Saturday Night Live", Chris Kattan). Obviamente não é todo mundo que vai achar engraçado, já que não se decide entre o humor grosso (uso de gases, o símbolo fálico) ou leituras mais sérias. Mesmo os efeitos são de qualidade variável, mas há uma faixa de público que vai encontrar muitas qualidades na fita, seja na aparição especial em pontas de escritores como Harry Knowles e principalmente Stephen King (já depois do atropelamento em que quase morreu), seja no estilo de humor ou no universo onírico do diretor.

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