"Os Esquecidos" fez boa carreira nos cinemas, mas tem dividido o público porque foi vendido como uma história de fantasmas à la "Os Outros", mas trata-se outra coisa. O longa está mais próximo de um episódio de "Arquivo X".
A história do especialista e veterano Gerald Di Pego ("Fenômeno", "Olhos de Anjo", "Instinto"), dirigida pelo competente, mas medíocre Joseph Ruben ("Dormindo com o Inimigo"), se parece um pouco com certas obras de Stephen King, que têm grandes pontos de partida. O problema é que em geral King não sabe resolvê-los. Enquanto em "Os Esquecidos" els conseguiram uma resolução bem interessante.
Não vou revelar qual é essa resolução, mas basta dizer que ela é convincente dentro do gênero e tem uma boa moral e bastante lógica ao reforçar a força do amor (e energia) de mãe.
Julianne Moore está especialmente bem e bonita como uma dona de casa que foi feliz até o dia em que o filho morreu num desastre aéreo. Ela se recusa a aceitar a morte dele, mesmo ajudada por um psiquiatra (Gary Sinise), e não quer esquecê-lo. Até o dia em que todos querem lhe convencer de que o garoto nunca existiu, que essa perda nunca aconteceu.
Ela estranha a situação, pensa que ficou louca e procura um conhecido que também perdeu a filha no mesmo acidente (Dominic West). Acaba sendo perseguida pelo FBI e pela policia (representada pela simpática policial feita pela ótima Alfre Woodard), que aparentemente a consideram louca e perigosa.
Enquanto procura por provas da existência do filho, a fuga prossegue com a ajuda de Dominic que tenta se livrar do alcoolismo. A primeira metade do filme é um excelente exercício de suspense, de manter a tensão. Quando chega a parte da resolução, certo público pode rejeitar. Eu continuo com o filme (que por sinal foi bem nos EUA, com perto de US$ 80 milhões de bilheteria), aprecio o uso de efeitos especiais (um deles, na casa a beira do lago, chega a assustar), e gosto da conclusão, que faz sentido. Enfim, este thriller (e não se baseie apenas no trailer) merece ser visto.
A maior novidade em DVD são as quatro cenas excluídas. Destaque para um final diferente, que foi refeito. Não muda muita coisa, mas o utilizado no filme é mais espetacular, mais coeso, com efeito especial e dando uma resolução ao vilão mais satisfatória. No original, ele aparecia no parque vendo tudo com olhar complacente.

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