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Um filme e quatro mãos: As marcas de Whedon e Snyder em "Liga da Justiça"

Joss Whedon (esq.) e Zack Snyder com Gal Gadot - Divulgação
Joss Whedon (esq.) e Zack Snyder com Gal Gadot
Imagem: Divulgação

Natalia Engler

Do UOL, em Londres (Inglaterra)*

15/11/2017 05h50

Zack Snyder e Joss Whedon são dois dos principais nomes quando se pensa em filmes de super-heróis, mas talvez seja difícil encontrar nesse universo dois diretores com pegadas tão diferentes. E não é só porque deixaram suas marcas trabalhando para as maiores rivais do ramo, DC e Marvel, mas principalmente porque de suas mãos saíram filmes com estilos totalmente opostos.

Whedon é o cara das produções que giram em torno de grupos ao menos desde a série cult “Buffy, a Caça-Vampiros” (1997-2003), e não por acaso foi escalado pelos chefões da Marvel para comandar a reunião de seus principais heróis, depois de vários filmes solo, em “Os Vingadores” (2012) e “Vingadores: Era de Ultron” (2015).

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Snyder ficou conhecido por adaptações de HQs como “300” (2007) e “Watchmen” (2009) e, principalmente no primeiro, já mostrou seu estilo visual, digamos, carregado. Quando foi chamado para começar a delinear um universo de heróis da DC nos cinemas depois do sucesso dos “Batman” de Christopher Nolan, e no mesmo tom sombrio, ele continuou mostrando que não economiza nos efeitos especiais e que gosta de dar cores menos realistas a seus filmes.

Esses dois caras que não poderiam ser mais diferentes dividem a direção “Liga da Justiça”, filme que reúne pela primeira vez no cinema, a partir desta quarta (15), Batman (Ben Affleck), Superman (Henry Cavill), Mulher-Maravilha (Gal Gadot), Aquaman (Jason Momoa), Flash (Ezra Miller) e Ciborgue (Ray Fisher).

Na verdade, dividir é um exagero (o filme é 80% de Snyder, 20% de Whedon, que ganhou crédito de co-roteirista, diria o produtor Charles Roven). Whedon primeiro foi chamado para ajudar a trabalhar no roteiro e depois assumiu a finalização da produção quando Snyder se afastou para se dedicar à família, depois do suicídio de sua filha mais velha.

Segundo o que circulou nos bastidores de Hollywood, o diretor de “Os Vingadores” trabalhou principalmente nas ligações entre as grandes sequências de ação e cenas de batalhas que já haviam sido filmadas por Snyder. Mesmo assim, foi um senhor retrabalho: dois meses de refilmagens (quando em geral são cerca de duas semanas), e US$ 25 milhões (bem mais que os até US$ 10 milhões normalmente reservados pra essa fase).

O fato é que olhares mais atentos vão perceber onde tem o dedo de Whedon, e onde ficaram as marcas de Snyder. A gente te dá o caminho.

* A jornalista viajou a convite da Warner Bros.

Joss Whedon

  • Clay Enos/Warner Bros.

    Engraçadinho

    Whedon é responsável por uma das falas mais lembradas dos blockbusters modernos ("Gênio, bilionário, playboy, filantropo", alguém?), e é esse estilo que ele tenta levar para as cenas em que estão reunidos os grandes heróis da DC (pense em um Aquaman bad boy durão confessando suas inseguranças mais íntimas, sem perceber que está enrolado no Laço da Verdade, ou um Batman engraçadinho perguntando ao herdeiro de Atlântida se ele fala com peixes). Nem todas as piadas funcionam, mas com certeza está anos-luz do tom solene de "Batman vs Superman: A Origem da Justiça".

  • Divulgação

    Química é tudo

    As piadinhas e os diálogos leves têm um propósito que vai além de responder às críticas de que os filmes da DC eram muito sombrios: criar um clima onde faça sentido esses heróis se juntarem e onde a presença deles juntos nas telas cative o público. Não chega a ter nenhuma cena digna da brincadeira de levantar o martelo de Thor em "Vingadores: Era de Ultron", mas Mulher-Maravilha e Batman (os adultos da turma) e Flash e Aquaman (os novatos) têm seus bons momentos juntos.

Zack Snyder

  • Divulgação

    Batalhas épicas

    Mesmo que o estúdio quisesse, seria impossível refilmar as longas cenas de batalhas de "Liga da Justiça", que mantiveram as marcas registradas de Snyder: a escala épica, sempre com muita destruição (não chega a ser uma metrópole inteira, mas pelo menos uma cidadezinha), ação frenética e mão pesada nos filtros de cor nada realistas (pense em uma sequência bastante longa em que tudo tem uma cor avermelhada bem intensa).

  • Divulgação

    Nada é real

    O gosto do diretor por muitos, muitos efeitos especiais também permaneceu, para o bem e para o mal. É claro que eles são necessários para recriar um mundo onde um garoto é capaz de alcançar a velocidade do som e um marmanjo controla as ondas e a água do fundo do mar (aliás, aqui é onde os efeitos ficam mais bonitos). Mas temos também um herói praticamente todo feito de computação gráfica (Ciborgue), e um vilão idem --nesse último caso, uma escolha, digamos, questionável, que não ajuda muito a dar credibilidade ao cara mau da história.

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