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Festival de Paulínia volta com Danny Glover e cinebiografia de Paulo Coelho

Tiago Dias

Do UOL, em Paulínia

23/07/2014 05h36

Muita pompa e estrelas internacionais marcaram a volta do Festival de Paulínia na noite de terça-feira (22), a 126 Km da capital paulista. Para provar sua força dentro do calendário, após dois anos suspensos, o evento mudou o nome para “Film Festival”, estendeu o tapete vermelho para artistas internacionais, do quilate da britânica Jaqueline Bisset (“007: Cassino Royale) ao ator Michael Madsen (“Kill Bill”) e homenageou o ator Danny Glover (“Máquina Mortífera”) por seu ativismo social.

Comovido, Glover deu "boa noite" em português e foi bastante aplaudido: “Há muito o que sentir quando você é homenageado em outro país. Você vê a importância de se contar histórias”, disse, antes de ressaltar que foi no Brasil que ele conheceu sua “bonita esposa”. Chamando o festival de “visionário”, pediu: “Nós precisamos de artistas que nos salvem da máquina”. Glover também fez aniversário nesta terça e a plateia do festival lembrou a data cantando "Parabéns pra Você". 

Para completar a noite glamorosa, só faltou Paulo Coelho. A cinebiografia do escritor, “Não Pare Na Pista”, fez sua pré-estreia mundial no evento, fora da competição. Mesmo após a longa cerimônia de abertura, apresentada por Marcos Caruso e Vera Holtz, e a própria edição fragmentada do filme, o longa arrancou aplausos calorosos no fim.

O autor de “O Alquimista”, defendido com maestria por Julio Andrade, na fase adulta, e seu irmão Ravel, na adolescência, preferiu não comparecer à abertura, embora houvesse quem apostasse em uma aparição surpresa.

Quem veio, no entanto, se divertiu no tapete vermelho. Abel Ferrara, que mostra seu novo filme, o polêmico “Bem-Vindo a Nova York”, dentro da mostra dos 25 anos da distribuidora Imovision, fez selfies e "colou" no tradutor para entender o alvoroço em cima de Martinho da Vila. O sambista está no novo documentário do francês Georges Gachot, “O Samba”, e, na abertura, chegou até cantar “Devagar, Devagarinho”.

Michael Madsen também causou sensação ao chegar no Theatro Municipal. Com uns quilos a mais, houve aglomeração para tirar foto com o ator. De paletó cinza e uma camisa com babados amarelo, estava vestido como um personagem de Quentin Tarantino (o ator está em dois filmes do diretor: “Kill Bill” e “Cães de Aluguel").

Palanque

Por pouco, no entanto, o festival não virou um palanque eleitoral. O prefeito Edson Moura Júnior (PMDB) chamou o pai, ex-prefeito e idealizador do pólo cinematográfico da cidade, Edson Moura, no palco para responder às críticas dos opositores pelo investimento no setor. “Os filmes feitos aqui vão chamar distribuidoras e empresas para deixar real, dólar e euro aqui”, disse Moura. A conversa durou 20 minutos e chegou a ganhar a participação do ator José de Abreu, que relembrou quando conheceu Moura, quando gravou o filme “Topografia de um Desnudo”, em Campinas.

Em 2012, o então prefeito José Pavan Junior anunciou o cancelamento do festival de cinema realizado na cidade, que iria para sua quinta edição, alegando que direcionaria a verba para programas sociais. A última edição completa foi em 2011, mas, em dezembro de 2013, ocorreu uma espécie de prévia do festival, depois de a prefeitura ter anunciado a retomada das atividades do Polo Cinematográfico de Paulínia.

Após o filme, enquanto o coquetel acontecia nos estúdios do pólo, o prefeito jantava com Danny Glover em um restaurante de Campinas.