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Aplaudido em Cannes, Spielberg estreia na Disney com "O Bom Gigante Amigo"

Thiago Stivaletti

Colaboração para o UOL, de Cannes

14/05/2016 10h44

Desde "E.T", muitos dos filmes de Steven Spielberg têm a cara da Disney. Mas só agora, 23 filmes e 34 anos depois, ele finalmente dirigiu um longa para o estúdio mais família do mundo, dona de blockbusters infantis como “Frozen – Uma Aventura Congelante” e “Procurando Nemo”. Em Cannes, Spielberg é rei – na coletiva de imprensa, foi mais aplaudido que George Clooney e Julia Roberts há alguns dias. Não é uma estrela de cinema, mas é como se fosse.

“O Bom Gigante Amigo” é adaptado de um livro de Road Dahl, mais conhecido pela história de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”. Em Londres nos anos 80, uma menina vive num orfanato e tem o hábito de ficar acordada até as três da madrugada.

Ela sabe que não deve sair da cama e olhar pela janela, mas um dia se arrisca e descobre que há um gigante que circula pela cidade quando todo mundo está dormindo. Ele a captura e a leva para a Terra dos Gigantes, mas o problema é que lá apenas ele é bom – os outros adoram devorar humanos, são muito maiores do que ele e são responsáveis pelo sumiço de outras crianças. Até a Rainha da Inglaterra (Pennelope Wilton, da série “Downtown Abbey”) e o Exército britânico vão entrar na história para ajudar Sophie e o gigante, que tem o poder especial de fabricar sonhos e pesadelos e inoculá-los nas pessoas.

É o primeiro filme de Spielberg aberto ao público infantil depois de alguns filmes adultos como “Lincoln” e “Ponte dos Espiões”. Mas ele diz que não procura um novo projeto pelo perfil ou público-alvo. “Estou só procurando uma boa história. E às vezes ela está na nossa cara. Li o livro para os meus filhos quando eram pequenos, é como se eu fosse um pouco esse gigante”, contou.

14.mai.2016- o Ator Mark Rylance promove o filme "O Bom Gigante Amigo" - Thibault Camus/AP Photo - Thibault Camus/AP Photo
O grandalhão é vivido pelo britânico Mark Rylance
Imagem: Thibault Camus/AP Photo

O grandalhão é vivido pelo britânico Mark Rylance, odiado por todos os fãs de Rocky Balboa desde que tirou o Oscar de ator coadjuvante deste ano das mãos de Sylvester Stallone, com seu papel do espião soviético quase mudo em “Ponte dos Espiões”, também de Spielberg.

Na nova fábula, Rylance prova que vale a pena Hollywood investir na performance capture – a técnica de filmar a interpretação no rosto de um ator e inseri-la em um corpo de animação, como foi feito no Gollum de “O Senhor dos Anéis”. Seu Gigante é 100% humano, com o olhar e as emoções do ator inglês. Um sinal de que os atores podem dormir sossegados – a tecnologia avança, mas ainda reconhece o valor único dos artistas.

“É como estar num palco vazio no ensaio de uma peça, você não vê a câmera em volta nem o público. Éramos só eu e Ruby [a atriz que vive Sophie] interpretando num espaço chamado volume. E às vezes Steven se enfiava no meio da gente, rindo”, lembra. Rylance já está no elenco do próximo filme de Spielberg, a ficção científica “Ready Player One”.

O novo filme guarda um certo paralelo com "E.T" – afinal, Spielberg volta a abordar a relação de afeto entre uma criança e uma criatura de outro mundo. Spielberg traz de volta os produtores do sucesso de 1982, Kathleen Kennedy e Frank Marshall, e a roteirista, Melissa Mathison.

“O Bom Gigante Amigo” estreia dia 28 de julho no Brasil.