Cinema

Vilão de "Os Vingadores", Tom Hiddleston diz que personagem precisa de um abraço

Divulgação
Tom Hiddleston como o vilão Loki em "Os Vingadores" imagem: Divulgação

Natalia Engler

Do UOL, em São Paulo

Há um ano, Tom Hiddleston era um nome praticamente desconhecido fora da Inglaterra, onde atuava no teatro e na TV. Mas o sucesso estava perto para o jovem inglês que estudou no tradicional colégio Eton, escola frequentada pela elite e realeza, e se formou com louvor na Universidade de Cambridge. Pouco antes de aparecer na tela grande como o escritor F. Scott Fitzgerald em “Meia-Noite em Paris”, de Woody Allen, Hiddleston assumiu o papel do vilão Loki, vingativo irmão adotivo do Deus do Trovão em “Thor”, dirigido por Kenneth Branagh. O personagem lhe daria visibilidade e é forte concorrente ao posto de vilão do ano, com o lançamento de “Os Vingadores”, nesta sexta (27). E o ator parece levar a sério a dedicação aos filmes de super-heróis: em 19 de abril, Hiddleston publicou no blog de cinema do jornal inglês “The Guardian” um artigo em que defende que “filmes de super-heróis, como ‘Os Vingadores’, não devem ser desprezados” e “têm muito a nos ensinar sobre fé e humanidade”. Hiddleston falou ao UOL por telefone, de Miami.

UOL - Qual é a fonte da raiva de Loki? Qual é o problema com ele?
Tom Hiddleston -
Eu acho que ele foi ferido por essa sensação de traição. Acho que ele se sente muito traído por sua família. Sua verdadeira história familiar é que ele foi o filho ilegítimo de um monstro, abandonado para morrer no frio, e foi adotado e criado como irmão de Thor. E só contam a verdade para ele muito mais tarde. Acho que ele fica furioso de ser tratado de forma tão injusta pelo universo. Ele precisa de um abraço [risos].

UOL - Você conseguiu se identificar com ele de alguma forma?
Hiddleston -
Todo mundo neste planeta teve momentos em que se sente sozinho, mal-compreendido ou chateado porque foi traído. É só lembrar como é isso e expandir para um nível muito, muito, muito, muito maior. Mas em relação a essa coisa de conquistar o mundo, isso é novo para mim. Não há nada disso em mim, posso garantir [risos].

UOL - Nem mesmo quando você era criança?
Hiddleston -
[Ri muito]. Não, prometo para você. Minha mãe diz que eu era uma criança muito quieta e pacífica. Então, não sei de onde essa coisa de dominar o mundo veio [risos].

UOL - Qual é o seu super-herói favorito?
Hiddleston -
Eu cresci assistindo o Super-Homem de Christopher Reeve e ele realmente era meu herói. Era minha coisa favorita quando criança. As coisas com as quais entramos em contato quando somos crianças ajudam a formar nossa imaginação, porque moldam a maneira como vemos o mundo de uma maneira muito sutil. E Christopher Reeve era tão genuinamente heróico, amável, engraçado e doce. Quando soube que ele tinha caído de um cavalo e sofrido um acidente, eu realmente não pude acreditar. Claro que eu sabia que Christopher Reeve não era o Super-Homem, mas ele representava o Super-Homem na minha cabeça. É louco que esse ator que representava um super-herói fosse frágil.

UOL - E qual é seu super-vilão favoritos?
Hiddleston -
São dois, ambos interpretados por Alan Rickman. Ele interpreta Hans Gruber em “Duro de Matar” [1988], o primeiro “Duro de Matar”, com Bruce Willis, e está absolutamente fantástico. E também em “Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões” [1991]. Ele está hilário nesse filme. Ele diz a seus homens para cancelar o Natal em “Robin Hood” [ri muito]. Lembro-me muito bem.

CIRANDA DOS VINGADORES - ENTENDA AS RELAÇÕES ENTRE OS HERÓIS DA SÉRIE

  • Arte/UOL

UOL - Para você, qual é o atrativo dos super-heróis e porque as pessoas continuam a gostar de histórias desse tipo de geração em geração?
Hiddleston -
Sinto que todas as sociedades inconscientemente inventam histórias para explicar sua humanidade. Os gregos antigos e os romanos tinham deuses, os povos do norte tinham deuses, a cultura indiana tem uma mitologia enorme, com histórias incríveis e épicas sobre amor, família e guerra. Cansei de filosofar muito sobre o assunto, mas acho que histórias em quadrinhos são uma extensão desse instinto coletivo. De algum modo, foram aceitas como uma mitologia contemporânea. Essa ideia do super-herói, alguém que é como nós, mas tem a habilidade de fazer coisas que todos nós gostaríamos de fazer. É a questão eterna que toda criança pergunta no playground: “se você tivesse um super poder, qual seria?”. E eu acho que todos gostaríamos de ter um super poder e fazer do mudo um lugar melhor. Sinto que essa ideia de ter a liberdade de fazer coisas que não podemos fazer apela para um tipo de instinto com que todos nascemos.

UOL - Qual é a parte mais difícil de interpretar um super-vilão?
Hiddleston -
A parte mais difícil é fazer parecer real e tentar achar a energia para projetar todas suas feridas espirituais. Ele tem muita raiva, ciúmes e orgulho. E sob todo esse mal, ele é apenas uma alma perdida e machucada. Algumas vezes, quando eu levantava de manhã e me sentia otimista com a vida, de bom humor, feliz, pensava “Preciso ir trabalhar e ficar muito irritado com todo mundo” [risos]. Essa era a parte mais difícil.

UOL - Para você, o Loki de “Thor” foi diferente do Loki de “Os Vingadores”?
Hiddleston -
Eu tive que entrar muito mais em forma. Tive que fazer mais treinamentos, melhorar meu estado físico. Porque tive muita ação. E com muita frequência eu tinha que filmar lutas, dia após dia, após dia. E então tinha uma cena grande de diálogo para fazer. Eu precisava ter certeza de que estaria em forma para ter energia suficiente para terminar a filmagem. Treinei muito com os dublês e fiz artes marciais mistas (MMA). Foi ótimo. Foi um trabalho duro, mas foi maravilhoso.

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