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Shopping de SP se transforma em Mordor durante pré-estreia de 2º "O Hobbit"

Gabriel Mestieri

Do UOL, em São Paulo

12/12/2013 23h01

Magos, elfos, hobbits e anões invadiram as salas de cinema do Shopping JK Iguatemi, na zona sul de São Paulo, para a pré-estreia de "O Hobbit: A Desolação de Smaug", nesta quinta-feira (12). Cerca de mil fãs da obra de J. R. R. Tolkien e das trilogias de Peter Jackson compareceram a oito salas que exibiam o filme, segundo a organização do evento.

O professor de música Cesar Patoulos, de 40 anos, foi à pré-estreia com uma fantasia completa de Gandalf, o personagem interpretado por Ian McKellen nos filmes. Questionado sobre como surgiu seu interesse pela obra de Tolkien, Patoulos responde como se fosse mesmo o mago fictício. "Foram-me entregues alguns livros na Terceira Era, na contagem de vocês isso já faz uns 10 anos, e comecei a estudar, ler. Participo de um fã-clube aqui em Mordor, que na verdade é São Paulo, e desde então meu interesse só tem crescido em termos de estudos de Tolkien, livros, cultura", afirma.

O amor, entretanto, não foi à primeira vista. Patoulos, que atualmente já viu os filmes e leu os livros baseados em Tolkien "incontáveis vezes", conta que seu primeiro contato com a obra do escritor britânico foi com o longa-metragem "A Sociedade do Anel", primeiro da trilogia "O Senhor dos Anéis", em 2001. "Como eu não entendia nada de 'Senhor dos Anéis' ou de Tolkien, faltou um final para mim no primeiro filme. Depois que descobri porque termina daquela forma e que haveria duas continuações", conta o fã.

Ele diz que escolheu se fantasiar de Gandalf por gostar do "carisma, da generosidade e da função de despertar a coragem nos outros" que o personagem assume. "Percebemos que Gandalf às vezes sai de cena, deixando as tarefas para os hobbits, os pequenos, para que eles também cresçam, então isso me atrai muito. Participar da história, mas deixar que os outros também apareçam", diz.

Á frente de Gandalf na fila, a designer Carolina Oliveira, de 26 anos, também afirma já ter "lido tudo" de Tolkien e assistido várias vezes aos filmes de Jackson. De acordo com ela, o que atrai tantos fãs para o universo da Terra Média é o fato de um mundo fictício ser descrito com tantos detalhes que parece real. "Ele [Tolkien] criou até um mapa, dá realmente a impressão de que o mundo existe", diz. "A gente consegue se sentir dentro desse mundo quando lê os livros", completa.

Além disso, diz, a obra "exalta valores que as pessoas deveriam ter como cumplicidade, amizade, honestidade". "E como todo filme, também tem suas perdas e ganhos", afirma.

  • Junior Lago/UOL

    A professora de inglês Judith Tonioli Arantes, de 30 anos, comparece à pré-estreia fantasiada de elfa Tauriel. Foto: Junior Lago/UOL

Já a professora de inglês Judith Tonioli Arantes, de 30 anos, gosta tanto da obra de Tolkien que a escolheu para ser o tema de seu trabalho de conclusão da graduação na faculdade de Letras. "Trabalhei a trajetória do herói segundo Joseph Campbell [estudioso norte-americano de mitologia e religião]", diz. "Foi muito interessante, inclusive na apresentação do trabalho fui vestida de Arwen", completa.

Para a pré-estreia desta quinta-feira, Judith, que faz parte do Conselho Branco Sociedade Tolkien, grupo de estudos sobre o autor, mudou de elfa, fazendo cosplay de Tauriel, personagem que não existe no livro e foi criada especialmente para os filmes. A fantasia, costurada pela mãe da fã, levou cerca de dois meses para ser feita. "Fui atrás do desenho, visualizamos e ela montou", diz. Já as orelhas vieram diretamente da Inglaterra, trazidas pela irmã de Judith.

Tauriel

Se na paixão pela obra de Tolkien os fãs são unânimes, quando o assunto é a elfa Tauriel as opiniões se dividem. Para Judith, a criação de Tauriel para os filmes "foi uma saída que o Peter Jackson encontrou para o fato de não ter personagem feminina [em 'O Hobbit']". "Acho superbacana, porque dá um espaço para a mulher que não existia originalmente na obra", diz.

Já Patoulos (ou Gandalf) vê o fato com desconfiança. "Isso me incomoda. Muitos fãs não entenderam o porquê da aparição dessa personagem. Creio que foi por questões publicitárias e midiáticas", diz.

  • Junior Lago/UOL

    O professor de música Cesar Patoulos, de 40 anos, comparece à pré-estreia de "O Hobbit: A Desolação de Smaug" fantasiado de Gandalf

O estudante de física Pedro Henrique Bernardinelli, de 19 anos, concorda com Gandalf. "Muito estranho. Mas o nome dela é correto. Pegaram realmente os termos do quenya [língua élfica] para construir o nome dela. Inclusive, ao contrário dos outros elfos, ela tem o nome em quenya e não em sindarin (outra língua élfica). Isso mostra que ela é uma elfa muito particular", diz.

Línguas élficas

Bernardinelli sabe do que está falando. Estudioso das línguas fictícias criadas por Tolkien, que além de escritor era filólogo, fala quenya, pesquisou sindarin e ainda viu "um pouco de adûnaico, língua falada pelos homens na Segunda Era". "Comecei a ler a obra de Tolkien com oito anos e não me interessei muito, mas depois vi um livro com algumas partes em quenya e comecei a pesquisar, encontrei algumas pessoas que falavam e comecei a fazer algumas traduções, mais por curiosidades mesmo, como hobby".

Ele conta que às vezes conversa com amigos em quenya, mas "que é muito complicado porque a língua tem pouco vocabulário". "Não é qualquer tema que dá para discutir em quenya, mais os relacionados à obra mesmo", completa.

O fã explica que, enquanto o quenya tem a estrutura gramatical tirada do grego e do latim e a pronúncia do finlandês, o sindarin mistura galês e grego. Questionado se estudou as línguas reais para aprender as fictícias, Bernadinelli diz que só "um pouco de latim". "Finlandês vi um pouco da gramática, e ela me assustou bastante e eu desisti. Mas dá para aprender sabendo apenas português e inglês", diz.