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Academia quer dobrar mulheres e minorias entre votantes do Oscar até 2020

Os atores e atrizes indicados ao Oscar de 2016 - Divulgação
Os atores e atrizes indicados ao Oscar de 2016 Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo

22/01/2016 18h38

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou nesta sexta-feira (22) que pretende dobrar o número de mulheres e minorias entre seus membros até 2020. A meta faz parte de um ousado plano de ação para diversificar membros votantes do Oscar e de seu comitê executivo.

"A Academia vai tomar a frente do problema em vez de aguardar a indústria", explicou a presidente Cheryl Boone Isaacs, que espera impacto imediato com o anúncio. As mudanças na Academia começarão a ser aplicadas ainda em 2016, segundo comunicado oficial, mas não afetarão a edição do Oscar deste ano. 

Mudança histórica

Os membros da Academia poderão votar e selecionar para o Oscar por um período de dez anos. Essa permissão poderá ser renovada se o titular tiver sido ativo na indústria durante esta década. Ganharão o direito vitalício de votação membros que tiverem sua permissão renovada por três décadas consecutivas ou os que tiverem estatuetas ou indicações anteriores. 

Quem não se encaixar nas novas regras passará a ser um membro emérito. A Academia não limita um número de membros. Eméritos seguem tendo todos os privilégios de fazer parte da academia, exceto o de votar. As novas regras valem tanto para novos membros como para os atuais.

Ao mesmo tempo, o processo de indicação de novos membros pelos atuais passará por uma renovação em uma campanha global para identificar e recrutar novos nomes que acrescentem diversidade ao quadro. Serão oferecidas três novas posições no comitê executivo nomeadas pela presidente para mandatos de três anos. Anteriormente, o recrutamento acontecia somente por indicação. 

A Academia ainda promete abrir espaço para novos nomes em seus comitês, onde as principais decisões são tomadas. Também haverá uma atenção maior para identificar futuros líderes.

As mudanças apontam uma clara tentativa de rejuvenescimento do quadro. Um estudo feito pelo jornal Los Angeles Times em 2012 sobre o perfil dos votantes mostra que 94% são brancos/caucasianos, 77% são homens, 2% são negros, 2% latinos e a idade média é de 62 anos. Apenas 14% têm menos de 50 anos.

Desabafo de Spike Lee e boicote dos Smith

A medida vem em um momento em que atores como Will Smith e sua mulher, Jada Pinkett-Smith, anunciaram boicote à 88ª cerimônia de premiação, que será realizada no dia 28 de fevereiro, em Los Angeles. Pelo segundo ano consecutivo, não há negros entre os indicados nas categorias que escolhem os melhores atores.

O diretor Spike Lee foi um dos primeiros a se pronunciar com um longo texto nas redes sociais. Ele destacou, porém, que a culpa maior é da indústria do cinema, e não da Academia. "É mais fácil ter um presidente americano negro do que um dono de estúdio", destacou. E também lembrou que todo ano é procurado para comentar a falta de diversidade entre os indicados.

Logo após as indicações, no último dia 14, internautas retomaram nas redes sociais a campanha #OscarsSoWhite (#OscarMuitoBranco) com a hashtag #OscarsStillSoWhite (#OscarAindaMuitoBranco), que logo entrou nos assuntos mais comentados do Twitter.

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